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Vocação Sacerdotal e seu Amadurecimento

A Vocação Sacerdotal nasce, cresce e amadurece numa profunda relação de amor entre Jesus Cristo, o Bom Pastor, que chama, e aquele que se sente amado e chamado: o jovem vocacionado. Trata-se de uma relação misteriosa de amor entre Deus e o homem, entre o divino e o humano.

A vocação Sacerdotal, como todas as vocações, nasce na fonte batismal. A criatura envolvida pelos braços e mãos humanos é acolhida pelos Braços e Mãos Divinos, mediante a fé da Igreja. É um chamado a arriscar-se, a mergulhar no mistério da Santíssima Trindade, no Mistério da Igreja.

A Trindade Santa e Indivisa se abre para a criatura que traz em si as consequências do pecado herdado de seus primeiros pais: Adão e Eva. Contudo, pela insondável e misteriosa Misericórdia Divina esta mesma criatura deseja retornar ao estado original de graça. É nesse contexto profundamente relacional – de experiência de amor humano e mistério de amor divino carregada de ternura, de oblação e de graça – que nasce e amadurece a vocação sacerdotal. Não será diferente o momento no qual se dará seu coroamento: a Ordenação Sacerdotal.

Nas palavras de um bispo, “a ordenação de um sacerdote é um dos momentos de maior alegria na vida de um Bispo, de seu Presbitério e de toda a Igreja”. Acredito que estas mesmas palavras podem brotar do coração de um pai e de uma mãe no dia do batismo do filho.

Estão intimamente relacionadas: a família, a fé, a Igreja e a relação de amor. A vocação deve crescer e ser alimentada neste ambiente de amor, de entrega e de celebração. Portanto, o vocacionado encontra no ambiente familiar e no ambiente de Comunidade de Fé (a Igreja e o Seminário) a terra fértil para discernir e amadurecer na resposta ao chamado de Deus. Os ambientes familiar e comunitário, por mais conflitantes e desafiadores que sejam, são os ambientes e os espaços mais adequados para nascer, crescer e desenvolver uma vocação; especialmente nos dias atuais.

O ambiente formativo do Seminário busca reproduzir, não obstante suas limitações, o ambiente de uma casa de família. A Casa de Formação deve favorecer um ambiente de liberdade responsável para que o aspirante ao sacerdócio possa desenvolver suas aptidões e dar a sua resposta de amor, livre e consciente, ao Senhor que o chama a consagrar toda a sua vida ao Reino de Deus, no serviço à Igreja.

Para o ambiente formativo, as orientações de São Paulo aos Filipenses são oportunas. E essas mesmas palavras do Apóstolo também são recordadas na Exortação Apostólica Pós-Sinodal, Sobre a Formação dos Sacerdotes, “Pastores Dabo Vobis”, de São João Paulo II, no capítulo sobre as Dimensões da Formação. Trata-se de “um programa simples e empenhativo” para aqueles que se colocam na escola de discípulos missionários: todos devem ocupar-se de “tudo que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honrado, o que é virtude e digno de louvor, é o que deveis ter no pensamento” (Fl 4,8).

Padre Jorge Campos Ramos
Vigário Geral da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo,
Reitor do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Penha

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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