buscar
por

VIDA COMUNITÁRIA

A experiência mais concreta das comunidades cristãs é a vivência comum no Senhor. Os cristãos devem estar atentos para promover o bem comum, como também a assistência aos menos favorecidos e a reta doutrina. Estão presentes, desde os primórdios do cristianismo, como nos narra a Didaqué, as instruções para discernir, entre aqueles que estão diante das comunidades, quais são verdadeiros ou falsos profetas.

São inúmeros os conselhos que regem a conduta daquele que vem em nome do Senhor, dentre eles: a continuação da doutrina outrora pregada, o despojamento, a pobreza evangélica, a prática vivencial do Evangelho que ensina, e o desapego aos bens materiais. A abertura à caridade é um dos meios de se reconhecer um verdadeiro profeta.

Os conselhos também se referem ao acolhimento de “todo aquele que vier em nome do Senhor”, contudo, é preciso examinar para poder conhecer; de forma que este não seja um “comerciante de Cristo” e para isso deve ajudar a comunidade com o labor do trabalho. O texto da Didaqué ainda traz uma referência muito importante que nos remete a uma realidade existente ainda hoje em nossas comunidades: a sustentação do sacerdote.

Sobre o sustento do ministro, a orientação é que se ele tiver uma profissão, então deve trabalhar para se manter, caso contrário fica a critério da comunidade. É importante que não haja nenhum cristão ocioso na comunidade. E acrescenta outra orientação a respeito das primícias da terra: “Tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê para os profetas, pois eles são os sumos sacerdotes de vocês. Se, porém, vocês não têm nenhum profeta, dêem aos pobres.” O que não pode é deixar de partilhar os bens e de pôr tudo em comum.

O centro da vivência comunitária cristã não está somente na ação da caridade, contudo, esta é orientada pela celebração dominical, verdadeiro centro, onde depois de terem confessados os pecados, se parte o pão em nome do Senhor. A celebração é vínculo de comunhão e não pode haver discórdia entre aqueles que dela participam, para que não haja profanação do sacrifício. “O cimento da vida comunitária é a correção mútua, feita com espírito fraterno. Perdoar-se e reconciliar-se mutuamente é o sacramento básico, porque não é bom viver sozinho, como também não é fácil viver junto”. Tudo isso: as orações, as esmolas e a vida comum devem ser espelhadas na forma do Evangelho de Nosso Senhor.

A vida perseverante no Evangelho é um conforto e uma missão. Conforto porque nos garante a vida futura para aqueles que se santificaram, e missão porque, nós que sabemos da verdade, somos convidados a anunciar ao mundo. A vida em comunidade tem uma finalidade, nos preparar para o grande encontro com Senhor no dia final.

Daniel Calil
Estudante de teologia da Arquidiocese de Vitória

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

Mais posts do autor

COMENTÁRIOS