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VIAJE LEVE PELA VIDA

Logo que assumiu o Pontificado em 2013, o Papa Francisco publicou dez lições orientadoras da caminhada. A primeira delas fala de como viajar pela vida. De imediato, este propósito se refere ao desapego de objetos materiais e bens em geral. O próprio Papa, como cardeal, fazia questão de andar a pé o máximo que podia, usar o serviço público de transporte e mesmo quando fazia uso de carro particular, ele dispensava o motorista.

Isso nos faz entender por que ele escolheu como residência a Casa Santa Marta e não o Palácio Apostólico. Para ele, esta casa de hóspedes (para bispos, padres e leigos) facilitava a proximidade com as pessoas levando uma vida normal. Também simplificou ao máximo o uso de vestimentas e calçados.

A orientação dada e vivida concretamente nos faz pensar sobre a quantidade de coisas que carregamos pela vida. Num mundo marcado pelo materialismo, buscamos acumular muitos bens. Temos muito mais do que necessitamos. Não basta olharmos para os imóveis e móveis que compramos, construímos e acumulamos. Basta uma olhadinha em nossos armários e vamos ver tantos calçados, tantas bolsas, tantas vestimentas, que pouco ou nada são de uso cotidiano. Simplesmente guardamos para carregar pela vida.

O acúmulo de bens requer não apenas dinheiro, mas tempo precioso de nossa vida. Quanto tempo se perde em meio ao guarda-roupas abarrotados só para escolher aquela vestimenta que ficaria mais adequada para o evento ou que condiz com o nosso espírito momentâneo. Mas não são as roupas e calçados que nos deixam felizes. Quem tem pouco é mais livre, é mais feliz.

A leveza da vida proposta pelo Papa vai ainda mais longe. Também se refere ao que carregamos espiritualmente, psicologicamente. As mágoas e rancores muitas vezes dominam nosso cotidiano. Não se consegue pensar em mais nada. Buscamos nos livrar disso através de outro mecanismo também pesado: o desejo de vingança. Então o fardo se torna insuportável. Morremos com a cabeça cheia de preocupações que são, em geral, bobagens.

Também determinados projetos de vida que nos propomos, trazem muito peso. Abdicamos do convívio com as pessoas e do prazer de viver a vida. Muitos jovens envelhecem atrás de projetos de realização profissional. Abdicam inclusive do prazer de constituir uma família. Vivem para os estudos e a preparação profissional.

A leveza da vida nos traz saúde, alegria e felicidade. O peso que carregamos nos adoece, nos enfraquece, nos enfeia. Sim, o peso nos faz feios. Não é a vestimenta mais chique que nos embeleza, mas a leveza do espírito, da alma, do coração.

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciências da Religião

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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