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VERDADEIROS E FALSOS PREGADORES

Este tema está presente no primeiro catecismo dos cristãos – Didaqué – escrito numa época de grandes disparidades sociais e diversas formas de relacionamentos entre as pessoas; por isso era preciso muita clareza para discernir os padrões éticos do cristianismo dos padrões de comportamento do paganismo. Papel fundamental neste contexto era exercido pelos pregadores, conhecidos como apóstolos ou profetas. Só que também no contexto pagão havia pregadores. O catecismo então apresenta algumas características consideradas centrais para distinguir o verdadeiro do falso pregador.

O falso pregador de antemão é perverso e expõe outras doutrinas apenas para demolir e destruir a unidade da comunidade. É preciso verificar de imediato “se ele ensina para aumentar a justiça e o conhecimento do Senhor”. Neste caso, a comunidade deve recebê-lo como se fosse o próprio Senhor. Nos dias atuais, tantas vezes entre as próprias comunidades cristãs, das diversas Igrejas, vemos pregadores mais preocupados em cooptar membros para sua Igreja que é mais uma empresa que uma comunidade.

O verdadeiro apóstolo “não leva nada na sua partida, a não ser o pão necessário até à seguinte estação; se, porém, pedir dinheiro é falso profeta”. Qualquer dinheiro arrecadado numa comunidade deve servir, fundamentalmente, para o aumento da justiça e não para o enriquecimento pessoal ou da própria Igreja.

Neste período já era possível encontrar muitas pessoas falando no espírito. Mas o catecismo alerta: nem todos são profetas, a não ser aquele que vive como o Senhor. É na conduta de vida que será possível conhecer o verdadeiro e o falso profeta. Como é atual esta orientação! Se alguém chegar e pedir dinheiro ou outra coisa, não deverá ser escutado. “Se, porém, pedir para outros necessitados, então ninguém o julgue”.

Todo profeta verdadeiro é digno de seu alimento.

O texto aprofunda ainda mais a questão financeira em relação ao profeta. E diz que o cristão deverá tomar as primícias de todos os produtos da vindima e da eira, dos bois e das ovelhas e dar aos profetas, pois estes são os vossos grandes sacerdotes. Não seriam estas pessoas acumuladoras de riquezas? Não seria contraditório em relação ao critério de fazer aumentar a justiça?

De forma alguma. O verdadeiro profeta é aquele que é capaz de distribuir as riquezas. Se ficar para o bolso dele, é falso profeta, pois seu trabalho implica no aumento da injustiça. Se algum pregador quiser fazer negócios com o cristianismo, o catecismo impõe que o cristão se acautele diante dele, pois será mais um endossando a trilha da injustiça. O ideal é que o verdadeiro pregador trabalhe para o seu sustento. Assim, a comunidade não deveria ter nenhum membro ocioso.

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciência da Religião

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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