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UMA IGREJA SINODAL

Desde o início de seu Pontificado, o Papa Francisco tem trabalhado ininterruptamente na Reforma da Igreja, cujo programa foi definido nos documentos Evangelii Gaudium, Laudato Sí e Amoris Laetitia. Um dos princípios fundamentais desta reforma é a experiência sinodal, ou sinodalidade. No discurso proferido por ocasião do 50º ano do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2015, o Papa abordou com profundidade esta temática que se confunde com a própria história da Igreja. Pode-se afirmar que este conceito é o carro chefe do trabalho de Francisco.

A sinodalidade expressa um conteúdo antropológico mostrando que os homens não são indivíduos isolados na terra, mas irmãos. E aqui nos remetemos ao povo brasileiro, que tem atravessado um tempo de muitas dilacerações no seio familiar, com muitas brigas e divisões por questões políticas, com tantos irmãos discriminados em razão de suas escolhas ou situações. É urgente para os brasileiros iniciarem um processo de reforma dos próprios corações. De nada adianta falar “Senhor, Senhor” com tanta hipocrisia deixada no lixo eleitoral, com tantas mentiras compartilhadas sem nenhum ato reflexivo. Parece que tivemos uma eleição pautada por mentiras, por “fakes news”. Não é possível caminhar juntos distribuindo mentiras sobre o nosso próximo que tenta caminhar conosco.

O Papa nos diz que a sinodalidade “é realmente a melhor experiência que podemos viver: fazer parte de um povo em caminho na história, juntos com o Senhor que caminha no meio de nós”.

Será que ainda merecemos que o Senhor caminhe conosco? Ainda podemos dizer que somos um povo de filhos, um povo de irmãos e irmãs?

A maior reforma a ser enfrentada por nós é a reforma de nossos corações. Como iremos reformar as estruturas da Igreja (Diocese, Paróquia e Comunidade) se não conseguimos sequer reformar nosso núcleo familiar, nossos grupos de convivência social e profissional?

Sinodalidade nasce do coração da Revelação de Deus. É na Trindade que se vive uma infinita comunhão interpessoal. Isso não é comunismo, como tantas pessoas caluniaram a nossa Igreja, representada pelos bispos da CNBB. Tem alguém até que considera o Papa um comunista. Que Deus tenha piedade destes algozes!

Por fim, a sinodalidade não é um conceito restrito à Igreja Católica. Transcende os limites da Instituição e torna-se referência planetária, apontando a mesma caravana humana que atravessa a história. Temos uma casa comum, como nos diz o Papa na Encíclica Laudato Sí. A Igreja em Saída, requerida no programa de reforma de Francisco, é uma chave missionária, que só pode ser vivida em uma caminhada junto, numa experiência de sinodalidade. A experiência sinodal constitui a vida da Igreja ao longo da história. É caminho obrigatório para o advento do Reino dos Céus.

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciências da Religião

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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