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Transporte e qualidade de vida

Qualquer iniciativa voltada para a qualidade de vida na Grande Vitória precisa contemplar e operacionalizar ações em duas direções complementares. Na primeira, responder à necessidade de mais atenção para com o adensamento em vários pontos da região metropolitana. A aceleração de construção de prédios residenciais e comerciais em terrenos até pouco tempo vazios ou ocupados por uma única habitação ou estabelecimento comercial, precisa ser mais e melhor discutida.

Em segundo lugar, o poder público precisa priorizar ações voltadas para a circulação da maioria da população. No uso das principais ruas e avenidas da Grande Vitória e nos investimentos públicos há que se priorizar aqui, a exemplo das principais cidades do mundo, pedestres e os veículos de uso coletivo.

Essa opção preferencial pela manutenção/ampliação da qualidade de vida na região metropolitana e por uma circulação que seja sustentável a curto, médio e longo prazos, precisa transpor barreiras políticas. A prioridade para o transporte público de passageiros só se concretiza se for abandonada a longa história de investimentos públicos voltados para facilitar a circulação do fascinante objeto de desejo chamado automóvel. Aí, esbarra-se com o imaginário social – alimentado por custosas campanhas publicitárias – segundo o qual, o uso indiscriminado do automóvel é símbolo de progresso.

A isso, precisa ser contraposto o argumento da sustentabilidade econômica – é impossível o crescimento permanente dos espaços de circulação voltados para pouco mais de uma pessoa por veículo; e ambiental – o automóvel está para a cidade, assim como o cigarro está para o corpo humano. Esse argumento consensual precisa resultar em ações.

Uma delas deve expressar a prioridade para vias exclusivas para ônibus e para mais e melhores abrigos, por exemplo. A outra deve voltar-se para a cobrança do real custo social da circulação de automóveis de uso individual. Isso pode ser obtido através da cobrança de estacionamento e pedágios mais elevados, por um lado; e, por outro, pela transferência do ônus de congestionamentos para os usuários de veículos individuais, através do estabelecimento de faixas exclusivas para o transporte público de passageiros e para veículos de serviços do interesse da coletividade.

Ações nessas direções podem contribuir para a equidade social e a qualidade de vida na Grande Vitória de hoje e do futuro.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia da Ufes

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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