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Transição prolongada

A economia política brasileira continua em transição.  As eleições presidenciais de 2014 tiveram mais do que dois turnos; superadas as contestações regulamentares, os perdedores colocaram em prática o ‘sangramento’ do governo eleito conforme proposto pelo Sen. Aloisio Nunes.  Essa estratégia foi executada através de artimanhas do Presidente da Câmara Eduardo Cunha que bloqueou no legislativo toda e qualquer iniciativa do governo reeleito.

2015 foi também de continuidade da crise econômica em nível mundial.  Acrescente-se a esse quadro de instabilidade, a inércia do governo em operacionalizar política de crescimento via financiamento do investimento de pequenas e médias empresas.

Em 2016 o ‘sangramento’ via bloqueio parlamentar acabou por culminar com o processo de impedimento de quem foi eleita democraticamente.  A forma e o conteúdo do impedimento acabaram por legar ao Brasil um executivo e um legislativo ilegítimos em função das continuadas denúncias de corrupção contra as principais figuras de ambos os poderes.

A ilegitimidade em momento algum inibiu os detentores do poder – com apoio da mídia oligopolizada – de colocarem em prática uma agenda, por um lado, reacionária no campo social – com destaque para a emenda constitucional que congela por vinte anos em termos reais os gastos com saúde, educação, dentre outros. Por outro, entreguista do patrimônio nacional – como é o caso de ativos da Petrobras, inclusive os de conhecimentos construídos ao longo de décadas.

Independentemente de quem vai conduzir o executivo em 2017, o quadro institucional ilegítimo que hoje conduz o País dificilmente vai abrir mão de dar continuidade a sua agenda de retrocessos sociais.  As já anunciadas reforma da previdência e trabalhista são prometidas sem o necessário debate com a sociedade.

Na esfera econômica, as promessas de ajuste fiscal via corte de gastos em serviços sociais e a crença no mercado como único articulador do crescimento, devem prolongar por mais tempo os anos de baixa dinamismo, desemprego e concentração de renda.

Ganham os especuladores; avança a desnacionalização de ativos do País; quebra-se o círculo virtuoso da inclusão social que dá sustentação ao crescimento parcial da economia com base no mercado interno.  Apequena-se o Brasil no plano internacional com a volta do alinhamento acrítico aos interesses estadudinenses.

Triste transição em que no passado o futuro parecia melhor.  Se há esperança, ela está na mobilização social.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Inovação e Desenvolvimento Capixaba da UFES

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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