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Tomé de Souza

Quando eu era adolescente ouvia com frequência uma piadinha idiota. Tudo iniciava com algum gaiato perguntando, com a maior seriedade possível: “O que fez no Brasil o primeiro Governador Geral, Tomé de Sousa?”. Daí todos colocávamos rapidamente o cérebro a funcionar para encontrar alguma resposta inteligente. Depois de alguns minutos de silêncio o gaiato respondia: “Tomé de Sousa fez o que pode!”.

De fato, só podemos fazer o que é possível, pois o impossível cabe a Deus. Somente para Deus tudo é possível, para nós há situações e problemas que estão acima das nossas forças. A nossa fé implica também a confiança total no Senhor, sabendo que ele nos ilumina e nos fortalece na luta da vida.

Tudo aquilo que podemos fazer por nós mesmos (sozinhos ou em grupo), Deus não o faz. Deus não compactua com a preguiça ou o comodismo. Chama-se pecado de omissão o bem que podemos fazer e não o fazemos.

Por outro lado, a mentalidade atual, endeusando o homem e ignorando a Deus, exige das pessoas que, sozinhas ou em sociedade, resolvam e enfrentem a misteriosa luta da vida e construam a história. Como todo ser humano é fraco, frágil e limitado, todos vão experimentar fracassos e perdas. Muitos ficam deprimidos e desanimados.

Para nós que cremos vale a regra de Santo Inácio de Loyola: “Devemos fazer tudo como se tudo dependesse de nós, sabendo porém, que tudo depende de Deus”. Dizem que pela forte influência dos jesuítas essa ideia cristalizou-se na bandeira do Estado do Espírito Santo nas palavras: Trabalha e Confia (em Deus!).

O cristão não age com o heroísmo orgulhoso e nem se abate covardemente diante das derrotas. O Papa Francisco nos recorda que tem grande valor diante de Deus o pequeno e sofrido passo que podemos dar. O simples desejo de ser bom e fazer o bem, mesmo quando não conseguimos realizá-lo, tem o seu valor diante do amor misericordioso do Pai.

Enfim, Deus olha mais a sinceridade do nosso coração do que as nossas qualidades ou as “grandes” obras que imaginamos realizar.

Dom Rubens Sevilha, ocd 
Bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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