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TERRA DE MISSÃO

Penso que algumas pessoas, ao lerem este título, tenham cogitado algo comum como primeira impressão. Quando se fala em terra de missão, numa revista católica, logo somos motivados a pensar em lugares onde os missionários labutam com dificuldades de todo o tipo no anúncio do Evangelho. Mas eu não estou querendo escrever algo sobre a África, Ásia ou Amazonas, ou, ainda sobre as Antilhas do Oceano Pacífico.

Esses são lugares desafiadores para a evangelização, onde verdadeiros heróis da fé cristã militam com entrega total de si em favor da evangelização das culturas e, pedagogicamente anunciam o Reino de Deus instaurado por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não, minha preocupação, neste momento histórico que vivemos no Brasil, é outra. Outra é a “terra de missão”, tão desafiadora ou mais do que aquelas que acabo de me referir.

Estamos em período eleitoral. O povo brasileiro é convocado para eleger seus representantes para o Senado, Câmara Federal e Assembleias Legislativas Estaduais.

Tenho ouvido de pessoas sérias, cristãs, que se veem em grande dificuldade para escolher os seus representantes. Alegam motivos que prefiro não citá-los agora.

Mas, expresso, brevemente, as minhas preocupações, enquanto pessoa que colabora na formação de opinião no meio católico cristão. Minhas preocupações surgem da proposta tradicional da Igreja para o mês de outubro: nossa vida missionária.

Como estamos vivendo o rico momento de cidadania, tempo de eleições de nossos representantes para o Senado, Câmara Federal, Assembleias Estaduais? Ouso fazer uma pergunta a título de provocação reflexiva aos agentes de pastorais: Onde estão os políticos missionários ou missionários políticos católicos?

Penso que, precisaremos usar uma boa lanterna para tentarmos achar um político católico missionário neste meio. E vejam que são milhares de candidatos! Acredito que a maioria deles sejam católicos batizados, porém, desconhecedores de uma missão especial enquanto políticos comprometidos com o anúncio do Evangelho naquele meio tão importante. O Documento de Puebla, de 1979 (p.291) chama-os de “construtores da sociedade”. Com certeza e com todo o respeito, estes católicos podem ser humanistas e estarem preocupados com o país, porém, sem aquela consciência missionária no ambiente político-partidário como se espera de uma Igreja missionária atuante através de seus agentes leigos. Por isso, despreparados na catequese, na Doutrina Social da Igreja, não são capazes de discernir questões sérias dos três poderes e no uso do voto como expressão de fé cristã em defesa e promoção de valores apregoados pelo Evangelho, ou seja, o Ensino Social da Igreja, como o valor da pessoa humana, o respeito à vida desde a concepção, a solidariedade, o Bem Comum de todos os cidadãos a educação para a vida, a justiça e a liberdade, o direito de expressão da fé de todas as crenças etc…

O político missionário não se compromete com posições contrárias ao Evangelho e anticristãs. Pelo contrário, não só se opõe, como tem como compromisso, evangelizar seu partido e suas opções por uma sociedade realmente nova.

Eis, pois, uma antiga e nova “terra de missão”: catequizar, evangelizar o meio político-partidário, o meio judiciário e toda a democracia. É uma missão especial do leigo em diálogo com o mundo, com os pensadores de nosso tempo, sem receio das correntes filosóficas antagônicas existentes, mas estudiosos, que sabem ouvir, ponderar e dialogar com aqueles que são diferentes e que são pessoas de boa vontade. Juntos poderão construir um Brasil melhor.

Não precisamos temer o contraditório, porque somos contra violência, somos pela paz, estamos a serviço do Amor que vem do Alto.

Os cristãos são convocados para construírem uma sociedade reconciliada. E, por isso, eles têm no coração, esta ordem: “O que vos mando é que vos ameis uns aos outros” (Jo 13,34b) “amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”! (Mt 5,44).

Surge, pois, um grande apelo aos professores de teologia moral, aos padres, religiosos e leigos: Formar cidadãos cristãos políticos por uma sociedade nova. Eis uma “nova terra de missão”: o campo Político-partidário, o Judiciário, Legislativo e Executivo, Evangelização dos três Poderes!
Oremos pelo Brasil e não sejamos omissos!

Dom Luiz Mancilha Vilela, sscc
Arcebispo Metropolitano de Vitória

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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