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TEMPOS ESTRANHOS

Estranhos estes tempos da pós-verdade de que se cercam pessoas no e com poder. Pós-verdade que se constrói com base em dados e fatos manipulados pela mídia e academia de mercado de forma a deslegitimar todo e qualquer debate em torno do contraditório e de formas distintas de tratar temas de interesse coletivo.

Foi assim na construção da narrativa para que tornasse ‘legal’ o golpe na democracia em 2016. Tem sido assim desde então com o congelamento do teto de gastos em educação, saúde, seguridade social, dentre outros; com o desmonte da legislação trabalhista; com a entrega aos interesses da financeirização mundializada do patrimônio natural e tecnológico do País.

De forma semelhante, tem sido o uso da pós-verdade pelo governo com apoio da mídia e da academia de mercado, na construção de discurso em torno de sua proposta de reforma da previdência. Discurso vazio de conteúdo e pleno de argumentos baseados em números ditos confidenciais, de ameaças veladas e de compras explícitas de apoio de parlamentares.

Diante da aridez de argumentos e de falta de preparo para o exercício de governar dos atuais ocupantes do executivo e de sua base no legislativo, representa luz a mensagem ao povo brasileiro encaminhada pela CNBB em 07 de maio passado. Sua leitura na íntegra é mais do que recomendável para quem busca no exercício da fé a construção de um outro mundo possível.

Aqui, valem alguns destaques pertinentes nestes tempos de tentativa de impor um discurso único. Destaque para o chamamento de que “… precisamos ser uma nação de irmãos e irmãs, eliminando qualquer tipo de discriminação, preconceito e ódio. Somos responsáveis uns pelos outros.”… “o poder político e econômico não pode se sobrepor a esses direitos sob o risco de violação da Constituição.”

Em outro trecho enfatiza que “…as necessárias reformas política, tributária e da previdência só se legitimam se feitas em vista do bem comum e com participação popular de forma a atender, em primeiro lugar, os pobres.”… “nenhuma reforma será eticamente aceitável se lesar os mais pobres. Daí a importância de se constituírem em autênticas sentinelas do povo as Igrejas, os movimentos sociais, as organizações populares e demais instituições e grupos comprometidos com a defesa dos direitos humanos e do Estado Democrático de Direito.”

Que assim seja. Que a solidariedade entre seres viventes e a cumplicidade de todas as forças vivas do País pela construção de uma Nação soberana e inclusiva vençam os sinais de barbárie que surgem por todos os lados de um Brasil que se arma demais e ama de menos.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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