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Tecendo o reexistir

Os humanos no século XXI ainda vivem sob três ameaças herdadas dos últimos 50 anos do milênio anterior. Cinquenta anos de ampliação destruidora que a atividade humana impõe aos demais seres viventes e que coloca em risco a vida de boa parte de sua própria espécie.

São elas: a. O poder destruidor da corrida armamentista atômica desde o final da II Guerra Mundial. b. A saga irresponsável para com a sustentabilidade ambiental e social promovida pela produção globalizada em busca do lucro imediato a qualquer custo. E c. a ideologia neoliberal que busca legitimar e valorizar em humanos, comportamento ético e moral como se empresas fossem.

Diante do poder do capital improdutivo que se amplia a cada dia e que se legitima através da mídia e da academia, apoiadoras acríticas dos interesses do mercado financeiro, pouco pode surpreender a pouca efetividade das tentativas institucionais até agora feitas.

Tentativas como as conferências sobre o meio ambiente e sobre o clima; os acordos sobre armas atômicas; as iniciativas de envolver empresas em programas de responsabilidade social e ambiental; os fóruns mundiais de direitos humanos, dentre tantas outras, contribuíram pouco para a reversão de riscos apontados por estudos elaborados por cientistas mundo afora.

Apesar do mérito de todas essas iniciativas, a situação deplorável como migrantes; o desrespeito recorrente de direitos de nativos, negros, mulheres, LGBTs, crianças e idosos; a iminência de guerras atômicas; os crimes ambientais cometidos por empresas com a conivência de governos, dentre tantos outros, só se aceleraram nos últimos anos.

As tentativas de resistência pelos que veem no respeito a todos os seres viventes o símbolo maior de humanidade têm sido insuficientes para se manter a esperança em um futuro melhor. Esperança a que tem direito quem se indigna contra injustiças sociais e crimes ambientais. Esperança devida a quem se colocam ao lado de excluídos sociais, políticos e econômicos. Esperança que se reanima com movimentos de adolescentes que têm privilégios econômicos, sociais e culturais mas que os rejeitam porque sabem de sua inutilidade diante da iminência do colapso climático e de confrontos atômicos.

Adolescentes que entendem que o exercício da individualidade só é possível em relações sociais, econômicas e políticas que respeitem todos os seres viventes. Adolescentes, principalmente de países avançados economicamente, que reconhecem o poder destruidor do individualismo a eles imposto por adultos governantes, empresários, mídia e educadores apologistas do deus mercado financeiro.

Adolescentes – em grande número de cabelos lisos e olhos claros – que se somam à resistência milenar de nativos da maioria das etnias espalhadas mundo afora. A combinação de resistentes históricos com jovens que se recusam a aceitar confortos baseados na produção insustentável de riquezas, pode ser a fibra, a partir da qual, surja um outro possível mundo.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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