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“São José de Anchieta não pode ser usado com fins ideológicos”.

“São José de Anchieta não pode ser usado com fins ideológicos”.
(Carta dos padres jesuítas – Comunidade de Anchieta, ES)

Os tempos atuais são estranhos e complexos. Misturam-se a seriedade e o compromisso de alguns, com o individualismo, o ideologismo, o ódio, o radicalismo e o preconceito de outros. As redes sociais dão a exata dimensão. Grupos e indivíduos criam narrativas complexas, e se não conseguem fazer com que todos acreditem em suas “verdades”, ao menos plantam uma dúvida na cabeça das pessoas.

Estampados em nossas “telinhas” estão todos os tipos de absurdos e a ignorância parece se expandir a olhos vistos.

Como escreveu o filósofo espanhol Daniel Innerarity: “o grande inimigo que é preciso combater não é tanto a miséria e o medo, mas, sobretudo, a ignorância”. Demonizar e desqualificar aqueles que pensam diferente é o esporte preferido de muitos. Na esteira de um turbilhão de absurdos que surgem constantemente, aparece a ideia de destituir Paulo Freire do patronato da educação brasileira e substituí-lo por São José de Anchieta.

Em que pese a importância e o legado religioso, cultural e educacional de Anchieta, sabe-se que por trás dessa proposta está um objetivo puramente político/ideológico radical, uma vez que, para muitas pessoas da chamada “direita brasileira” (especialmente aqueles que jamais leram um artigo de Paulo Freire e, muito menos, conhecem a sua obra), ele seria um comunista e sua influência na educação brasileira seria a causa dos graves problemas do nosso sistema educacional.

Freire é um dos grandes nomes da história da educação brasileira, sendo respeitado e estudado em cerca de uma centena de países e nas principais universidades do globo. Sua obra traz reflexões fundamentais para o processo educacional num país tão desigual e excludente como o Brasil. São José de Anchieta foi fundamental para o processo educacional e deixou um legado religioso e cultural de grande importância para a igreja e para o Brasil. Além de padre Jesuíta, foi historiador, gramático, teatrólogo, poeta e merece todo o nosso reconhecimento. Por outro lado, um personagem tão importante para a história do país e da igreja não pode ser usado para satisfazer objetivos meramente políticos e ideológicos.

Caso venha a ocorrer a substituição, além de usar a memória de alguém tão importante quanto São José de Anchieta para fins ideológicos, ainda pode agravar as rivalidades e a polarização entre grupos políticos.

A Igreja e os católicos precisam se posicionar contra tal possibilidade e ajudar a unir e pacificar a população brasileira, como disse o Santo Padre Francisco na mensagem do Dia Mundial da Paz deste ano: “Duma coisa temos a certeza: a boa política está a serviço da paz”.

Sergio Majeski
Deputado estadual

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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