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Restinga é mata, não mato!

As restingas, classificadas como Áreas de Preservação Permanente (APP) pelo Código Florestal brasileiro (Lei 12.651, de 25 de maio de 2012) e conceituadas como “o conjunto das comunidades vegetais, sob influência marinha e fluvio-marinha” pela Resolução 7 do CONAMA, são ecossistemas associados à Mata Atlântica que apresentam importantes funções para o equilíbrio ecológico do ambiente em que se inserem.

Esses ecossistemas possuem notória distribuição geográfica ao longo do litoral brasileiro, ocupando uma extensão de, aproximadamente, 5 mil quilômetros. Ocupam cerca de 79% da costa brasileira e ocorrem principalmente nos litorais paulista, carioca, baiano e capixaba. Aqui no Espírito Santo encontra-se uma considerável área de restinga na orla distribuída entre os bairros Praia da Costa e Itaparica (Vila Velha).

Além de parecerem simples plantas ou “matos”, essas vegetações são importantes para conter os grãos de areia em praias e dunas (fixação de dunas); evitar a erosão pluvial; manter o nível de água e de nutrientes no solo; a ovoposição de tartarugas marinhas e proteção dos ninhos; refugiar e abrigar muitas aves migratórias; estabilizar os manguezais; abrigar diversas espécies da fauna e da flora brasileira, sobretudo inúmeras ameaçadas de extinção.

Tendo em vista as inúmeras funções da restinga supracitadas, a preservação dessa formação vegetal torna-se latente e emergente. Isso porque inúmeras pessoas não a tratam como vegetação e não reconhecem a importância da restinga para a manutenção da biodiversidade terrestre.

Apesar de latente e emergente, a preservação da restinga não é uma ação tão fácil porque fatores culturais permenecem alijados ao “fazer social”. As ideias errôneas de que essa vegetação se recupera rapidamente ou de que é apenas um “mato” que atrapalha o banho de sol da população humana parecem ser motivadoras da destruição da restinga. Ao contrário do que se pensa, a supressão desse ecossistema pode levar a uma reposição lenta e algumas espécies podem passar a dominar (principalmente de menor porte), em detrimento de outras, o que ocasiona um desequilíbrio ecológico e perda de biodiversidade.

Por serem considerados ecossistemas frágeis, com solos arenosos, lixiviados e pobres em nutrientes e por serem altamente impactados pelo ser humano, as restingas geram muitas preocupações para os ambientalistas, biólogos e organizações não governamentais. Aqui no Espírito Santo destaca-se o Projeto “Amigos da Restinga” do Município Vila Velha. Tal projeto busca sensibilizar e informar aos frequentadores da praia sobre a importância da preservação da vegetação de restinga, além de promover ações em praias, escolas e eventos.

Michell Pedruzzi Mendes Araújo
Pesquisador do GEMUT-UFES, doutorando em Biologia Vegetal – UFES e mestre em Educação / Biólogo-UFES

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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