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Renunciarás a Satanás

Sob o título “No Batismo renunciamos a Satanás” começam as Catequese Mistagógica de São Cirilo. O autor patrístico nasceu em Jerusalém em 315, foi ordenado presbítero em 348 e bispo da sua cidade natal em 350. Viveu um período de grandes reflexões teológicas provenientes das controvérsias doutrinárias, principalmente sobre a relação trinitária (arianismo). Para ele, a vida cristã não se resume na recepção do batismo, mas na inserção no conhecimento e no relacionamento com Deus.

O ponto de partida é a renúncia a Satanás. O catecúmeno deve se voltar em direção ao Ocidente, pois lá é onde o sol se põe, em oposição ao Oriente, que é o lugar donde o sol nasce, remetendo à “visita do sol nascente” que é Cristo.

A Satanás é atribuída a condição de cruel tirano, artífice e cúmplice de todo mal. Daí a necessidade de renunciar às obras de Satanás que são todos os pecados que vêm por ações e pensamentos contrários à promessa da Vida Nova.

São Cirilo continua dizendo que é necessário renunciar também à pompa de Satanás que conduz ao mal, às emoções desenfreadas, à perdição dos hábitos que é o caminho oposto à salvação. Deve-se deixar de realizar “a prece nos templos dos ídolos, tudo que se faz em honra dos simulacros inanimados: acender luzes ou queimar incenso perto de fontes e rios, como fazem alguns que enganados por sonhos e demônios, chegam a isso, crendo que encontram a cura de doenças corporais. [...] Augúrios, adivinhação, agouros, amuletos, inscrições em lâminas, magias ou artes más são culto do diabo”.

Fica claro que é indispensável na caminhada cristã renunciar a Satanás e tudo o que dele provém. As tentações e artimanhas de Satanás, aproveitando da fragilidade humana, continuam nos dias atuais a terem o mesmo fim: levar o homem à perdição. As artimanhas são as mesmas, mas se manifestam de maneira diferente. O que seria renunciar a Satanás, às suas obras e o seu culto hoje?

A humanidade atual passa por crises moral, ética, política, religiosa e econômica que expressam uma idolatria ao transitório e uma rejeição àquilo que é permanente. Toda a obra de Satanás concorre para a destruição da criação de Deus.

Obrar por Satanás e cultuá-lo, é destruir a vida humana em sua integralidade, seja do ponto de vista físico, moral, religioso ou comunitário. Uma cultura do descartável, da instrumentalização e banalização da sexualidade, da mercantilização do relacionamento com Deus, da superstição, da inconsciência dos pecados, das vaidades e desejo de poder afundam o homem numa crise profunda.

Segundo São Cirilo somente a vigilância que brota de uma adesão e aprofundamento do relacionamento ativo com Deus, fruto de um caminho mistagógico, é capaz de sustentar o homem no caminho do bem e mantê-lo afastado das obras de Satanás.

Ruan Coutinho da Cruz
Estudante de Teologia da Arquidiocese de Vitória

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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