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REEXISTIR / RESISTIR

Desmontes de conquistas sociais, econômicas e políticas conseguidas na Constituição de 1988 provocam resistências. Resistência ao cinismo dos que apontam investimentos sociais como culpados por um desequilíbrio fiscal com raiz na forma como a dívida pública há muito é administrada.

Resistência à manipulação de dados e informações voltadas para a desconstitucionalização da seguridade social que certamente há de atingir pessoas que mais precisam da solidariedade coletiva.

Resistência ao desmonte da soberania do Brasil, seja pela entrega de riquezas naturais e empresariais, seja pela transferência de tecnologia aqui desenvolvida de forma genuína em diversas áreas – com destaque para a exploração de gás e petróleo no pré-sal; agricultura; aeronáutica; energias alternativas, dentre outras.

Resistência às tentativas de acabar com o ensino, a pesquisa e a extensão inclusivos em universidades e institutos federais. Resistência à “privataria” que objetiva desarticular o sistema de financiamento e crédito estabelecido no BNDES, no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Resistência ao desmonte de conselhos constituídos para fomentar e apoiar a participação social no desenho e controle de políticas públicas.

Paralelamente a importantes atos de resistência, registrem-se atitudes voltadas para uma nova forma e um novo conteúdo de existência de vida social, econômica e política. Reexistem pessoas que se articulam no desenho e operacionalização de projetos e atividades voltadas para o bem viver.

Bem viver que pode estar na maneira de produzir alimentos agroecológicos e comercializá-los diretamente à população. Experimento do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) que resistem à utilização de agrotóxicos e a serem elos fracos em cadeias produtivas comandadas por grandes redes. Mais do resistir, reexistem tecendo novas formas de interagir entre si e com quem na cidade merece produtos saudáveis.

Bem viver que pode estar na maneira de ofertar crédito e financiamento que atente para especificidades de quem vive de pequenos negócios e de trabalhos descontínuos. Crédito e financiamento que reexistem em moeda local e que prioriza a circulação financeira no próprio bairro onde atua, como é o caso do Banco do Bem, nos bairros de São Benedito, Jaburu, Itararé, Floresta, Engenharia, Bonfim, Penha e Consolação, em Vitória.

Reexistência que se dá em tantos outros bairros onde a atuação dos governos é periférica em setores como saúde, educação, cultura, assistência social, saneamento, dentre outros; e geralmente se dá de forma violenta na ação policial. Nova forma de existência de jovens, negros, mulheres, LGBTs que resistem, reexistem e portam futuro.
Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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