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Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me! (Parte I)

A reflexão que hoje iniciamos do texto do Evangelho de Lucas 9,18-26, será proposta em dois artigos para os meses de Junho e Julho. No texto em questão, encontramos Jesus em oração, acompanhado de seus discípulos. Neste contexto, o Senhor propõe aos seus discípulos uma pergunta acerca de sua identidade. No primeiro momento, a pergunta possui um caráter geral: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”, tendo como respostas as esperanças e desejos de um povo que aguardava ansiosamente o Messias. Já num segundo momento, a pergunta se torna direta e dirigida aos grupo dos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”, que tem na resposta dada por Pedro a profissão de fé da comunidade cristã: “O Cristo de Deus”.

No que se segue às palavras de Pedro, Jesus continua a apresentar aos discípulos alguns pontos essenciais para aqueles que desejam ser seus discípulos. Ele indica três passos essenciais para o caminho do discipulado missionário: renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-Lo. Ao ouvir essas Palavras os discípulos foram questionados profundamente sobre o modo com que viviam o seu seguimento e se, de fato, já tinham assumido o caminho da fé como uma estrada que os levaria à Vida Plena que é o próprio Jesus Cristo e, um dia, ao encontro com Ele na casa do Pai.

O primeiro passo, renunciar a si mesmo. Como compreender algo que nos parece tão radical e duro, marcados que somos pela sociedade atual que caminha, a passos largos, para outra direção? Hoje vemos ao nosso redor um crescente individualismo, radicalizado pelo empenho enorme das pessoas em seus próprios interesses e um crescente fechamento para as necessidades dos outros, principalmente as dos mais necessitados e excluídos. De fato, cada vez mais existe uma preocupação com a satisfação pessoal, mesmo quando essa traz consigo a exclusão de muitos jovens, crianças e de famílias inteiras em nossas cidades e campos. Como compreender o que o Senhor propõe ao dizer: Renunciar a si mesmo? O que significa esse passo tão importante no caminho do discipulado missionário?

A resposta está na própria Palavra de Jesus, já que Ele diz que renunciar a si mesmo seria possível somente por Ele, isto é, na união íntima com Ele é que o cristão batizado será capaz de dar um passo tão importante de maturidade na fé. A renúncia de si, não significa um perder-se, a anulação de seus próprios interesses, sonhos e projetos pessoais, ao contrário, significa que tudo o que se tem é e deve ser iluminado pela Presença de Cristo. Aquele que renuncia a si mesmo acolhe a Cristo, recebe Dele a inspiração e os valores para edificar a própria vida, ou seja, como diz São Paulo aos Coríntios: “Quem está em Cristo é uma nova criatura” (2Cor 5,17). Renunciar a si mesmo é deixar-se moldar pelos valores do Evangelho, é viver segundo as opções de Jesus e escolher de acordo com o Seu Sagrado Coração. Sendo assim, nesse primeiro passo é possível perceber a urgência de um encontro pessoal e contínuo com o Senhor, a fim de que, unidos a ele cada um possa ouvir o seu contínuo e constante chamamento: Vem e segue-me!!!

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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