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"QUE DEUS NOS DÊ A SUA GRAÇA E SUA BÊNÇÃO, E SUA FACE RESPLANDEÇA SOBRE NÓS!" (Sl 67,1).

O salmo 67 recitado nas celebrações litúrgicas nos oferece um hino de louvor a Deus por toda a sua benção derramada sobre Israel e sobre toda a terra. São três estrofes bastante significativas, nas quais o povo do Senhor entoa o seu louvor de gratidão e reconhecimento, principalmente num tempo de recordação da história e da vida. Na primeira estrofe, o salmista pede ao Senhor que a sua graça lhe seja dada, a fim de que em todo o Israel resplandeça a face de Deus. Na segunda estrofe, o salmista reconhece que a benção oferecida deve se tornar fonte de benção para todos os povos e nações. Por fim, na terceira estrofe, o salmista canta os louvores ao Senhor por reconhecer os frutos produzidos e como a graça acolhida foi frutuosa. Nesse caso, o salmo 67 é providencial para a celebração do jubileu da Arquidiocese de Vitória, pois se torna um grande hino de louvor ao Deus Altíssimo que parte de todas as Comunidades Eclesiais de Base desse Igreja particular.

Na primeira estrofe do salmo, o salmista apresenta ao Senhor um pedido ao dizer: “Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós!”. De fato, o sinal da benção percorre todo o salmo, já que ela se encontra no início e no final do mesmo, quando se pede a benção sobre todo o povo. Ao pedir a graça e a benção divinas, o salmista implora ao Senhor o dom da fertilidade, a fim de que toda a terra reconheça sobre Israel a face bondosa de Deus, capaz de abençoar e salvar.

Na segunda estrofe, o salmista convida ao louvor com a seguinte afirmação: “Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, e guiais, em toda a terra, as nações”. O homem de Deus reconhece que o sinal da benção conferida ao povo deve ser comunicada a toda a terra, de fato, Israel é por vocação chamado a ser sinal da benção e graça divinas junto a todos os povos e nações. Neste caso, a benção recebida que é sinal da graça e do favor do Senhor, se torna um convite explícito dirigido a todas as nações, a fim de que reconheçam a bondade e o amor de Deus. Desse modo, todas as nações seriam atraídas ao Senhor e por ele acolhidas, a fim de que, por sua Palavra fossem evangelizadas, formadas, assistidas e guiadas.

Por fim, na terceira estrofe do salmo encontra-se as seguintes palavras proferidas pelo salmista: “A terra produziu sua colheita: o Senhor e nosso Deus nos abençoa”. É inegável a relação direta de Israel com a terra, seja pelo reconhecimento da terra como dom de Deus, fruto da liberdade conquistada, bem como, nos sinais visíveis de sua fertilidade, frutos da benção oferecida pelo Senhor. Neste caso, diante da fertilidade da terra, fruto da benção divina, que deve ser continuamente renovada, nasce um hino de louvor, uma atitude orante e cheia de júbilo entre todas as nações. Todos os povos reconhecem a benção do Senhor derramada abundantemente sobre Israel, sinal de sua bondade e graça sem limites. A fecundidade de Israel torna-se motivo de louvor para os povos, sinal de que o Senhor caminha ao lado dos que escolheu, abençoando o fruto de suas mãos e confirmando o chamado a eles confiado.

Desse modo, tocados pelas palavras do salmo e convidados ao mesmo louvor nelas contido, cheios de alegria, todos rendam graças a Deus pelo Jubileu da Arquidiocese de Vitória. Um tempo fecundo, propício para uma reflexão profunda, que possibilita a reconhecer os acertos, as conquistas, os erros e os desafios do tempo que se abre à frente. É inegável a presença da graça e da benção de Deus no caminho e na história dessa Igreja Particular, Mãe e Mestra das demais dioceses do Estado do Espírito Santo. Muitos foram os passos percorridos, por tantos homens e mulheres que entregaram a sua vida, em todos os sentidos, para que a Igreja pudesse resplandecer a bênção do Senhor. Muito foi construído, muito foi conquistado, passos firmes e decididos na acolhida e no comprometimento em fazer a vontade Daquele que a todos convida à Fé. Por isso, nasce nos corações o agradecimento sincero ao Senhor, pois, é Ele quem sempre faz florescer o trabalho das mãos de seus filhos e filhas. A fim de que a graça a todos confiada se torne sempre uma benção para todo o povo de Deus. Por isso nesse ano todos dizem: “Que as nações vos glorifiquem, o Senhor, que todas as nações vos glorifiquem”.

Revista Setembro - VII.cdr

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e Doutor em Sagrada Escritura

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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