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Projeto Voando Livres

O Coletivo Voando Livres é uma associação de organizações e pessoas, que através de suas experiências com a natureza, contribuem com seus conhecimentos e ideias para a realização de processos de ensino e aprendizagem de assuntos relacionados à ecologia.
Nossa dinâmica segue parâmetros científicos, mas também resgata conhecimentos ancestrais e populares, colaborando para que todos desenvolvam uma consciência ecológica de maneira livre e divertida.

Com essa abordagem, promovemos o conhecimento das aves e de suas formas de preservação. Fazendo uso da Ornitologia (ciência que estuda as aves), impulsionamos nas pessoas os processos de sensibilização e valorização da natureza.

Então, dizemos que o método pedagógico proposto em nosso projeto, tem como coluna vertebral a sensibilização ambiental, através de oficinas que combinam a ciência com a arte. Assim, fundamentamos a base do conhecimento com experiências vivenciais, com criações individuais ou coletivas, com a   valoração do meio e com o intercâmbio de conhecimentos, que constroem a consciência ecológica, favorecendo de maneira comunitária a solução de problemáticas socioambientais.

O Coletivo Voando Livres nasceu em um pequeno povoado no centro das montanhas da Colômbia, próximo a bacia do rio Combeima, cuja nascente fica no Vulcão Nevado do Tolima, uns dos lugares com maior biodiversidade de aves no mundo. Foi nesse local que começamos e que, juntamente com um grupo de crianças e jovens, saíamos caminhando entre as montanhas, observando e fotografando as aves, ao mesmo tempo em que brincávamos e falávamos sobre a ecologia das espécies que encontrávamos no caminho.

Também realizávamos muitas experiências baseadas em pesquisas cientificas tradicionais, cujos resultados iam sendo arquivados. No entanto, nosso método não representava impacto nos territórios, e por isso resolvemos adotar o que chamamos de Ornitologia Social. Aliamos às nossas formas de pesquisas, as atividades de desenho dos pássaros migratórios, o que nos proporcionou um contato ainda maior com as comunidades, que nos acompanhavam nas excursões ao encontro dos pássaros.

Após essa etapa, iniciamos nossa viagem pela América do Sul. A família Voando Livres, formada por Ivonne Buenaventura (mãe) Juan Camilo Perez (Pai), Kiwa Perez (filha) e Bunkua Perez (filho) partiu do centro dos Andes, região das montanhas, em direção ao Caribe Colombiano, no norte do país, mais especificamente no Parque Nacional Natural Tayrona, uns dos lugares mais lindos do mundo.

Nesse parque, em dezembro do ano 2013, realizamos atividades com a comunidade local, usando fantoches que se tomaram nossos instrumentos para promover a educação ambiental, gerando uma nova etapa em nosso projeto.

Nossa viagem continuou em direção a Venezuela, fazendo paradas em Caracas, Ilha de Margarita e cidade Guayana, onde conhecemos o trabalho comunitário desenvolvido com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, realizado pela senhora Amália de Jesus. Com eles nos reunimos no Parque la Llovizna, um lugar lindíssimo com floresta e imponentes cachoeiras, onde fizemos observações de pássaros, brincamos e trocamos conhecimentos. Foi uma experiência muito linda para nós e para eles.

Como estávamos perto da fronteira do Brasil, cruzamos o estado de Roraima, em direção a cidade de Boa Vista, onde conhecemos um trabalho comunitário que vem sendo desenvolvido durante vários anos pelo setor de antropologia da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Apresentamos nosso projeto e com algumas adequações surgiu um novo projeto: “Representações Ornito- simbólicas no Norte e Nordeste do Brasil”.

atualidade DSCN0831Assim, iniciamos uma nova etapa, desta vez muito mais planejada, com muitas oficinas realizadas com as comunidades das imediações, especialmente no interior do estado. As experiências desses locais fizeram com que o projeto se estruturasse mais e ganhasse solidez, nos proporcionando o presente de conhecer alguns grupos indígenas da região, que nos enriqueceram com conhecimentos sobre os pássaros daquele local. Com essa dinâmica avançamos pelo estado de Amazonas e Pará.

No Pará, as atividades se alongaram por um ano e nos proporcionou experiências vivenciais em agroecologia, bioconstrução e permacultura. Depois deste período, continuamos nossa viagem e seguimos para o Nordeste do Brasil, percorrendo o litoral dos estados de Maranhão, Piauí, e Ceará. Vale ressaltar a experiência na Eco Aldeia Flecha da Mata, em Canoa Quebrada, um espaço que mostra através da vivência, como as comunidades contemporâneas podem viver de uma forma sustentável, sem agredir o planeta.

Com eles continuamos nosso ensino e aprendizado em agroecologia, bioconstrução, música, gastronomia saudável, energias alternativas e permacultura. Neste maravilhoso lugar da Caatinga, o Coletivo Voando livres fez “A Guia Preliminar das Aves da Eco Aldeia Flecha da Mata”. Depois de um mês, continuamos pelos estados de Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Espirito Santo.

No Espírito Santo conhecemos parte da bacia do Rio Jucu, valorizando sua biodiversidade e presenciando as problemáticas, especialmente as causadas pelo desmatamento e pela poluição das águas por esgotos e resíduos indústrias, assim como a diminuição das águas pela captura para o consumo. Escrevemos uma proposta para dar inicio a um processo de sensibilização, a partir do estudo e valoração das aves da bacia. Essa proposta foi apresentada a todas as prefeituras dos municípios que fazem parte da bacia do rio Jucu, mas apenas a Secretaria de Meio Ambiente de Marechal Floriano manifestou interesse em desenvolver nossa proposta. Infelizmente o projeto não foi executado por falta de recursos da prefeitura.

atualidade_DSCN2913Ainda no Espírito Santo, o veículo que nos transporta apresentou problemas mecânicos e decidimos ficar alguns meses na cidade de Vila Velha. Lá, nos chamou atenção o morro do Convento da Penha e o Morro do Moreno, que dão uma mostra do que foi a Mata Atlântica no estado. Um dia, caminhando pela Gruta do Frei, percebemos a grande variedade de pássaros, alguns novos para nós. Assim apresentamos uma proposta que foi recebida com muito entusiasmo e dela nasceu a exposição “Pássaros do céu… bendizei o Senhor” que aconteceu no Convento da Penha. Também foi desenvolvido a “Guia das Aves do Morro do Convento da Penha”, que já se encontra em digital e será lançada em breve.

Nesta pesquisa apresentamos fotografias de 72 espécies de aves registradas durante um mês de monitoramento. Entre elas, encontramos o Gavião Pombo Pequeno, Amadonastur lacernulatus também conhecido como Leucopternis lacernulatus, que é endêmico do Brasil, catalogado pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) como vulnerável a um processo de extinção e considerado uma espécie rara com pouquíssimos registros, todos eles ocorridos na Mata Atlântica, desde Rio Grande do Norte até Santa Catarina.

atualidade_Cyanerpes cyaneaTambém podemos ressaltar as espécies migratórias austrais como são o Irré ou Myiarchus swainsoni e a Tesourinha ou Tyrannus savana, assim como o Falcão Peregrino ou Falco peregrinus, migratório boreal e a Juruviara ou Vireo chivi, que também é um pássaro migratório.

Desta última experiência realizada neste santuário, construímos novos conhecimentos assim como grandes amigos que vão se juntando ao Coletivo Voando Livres. Agora a família toda apronta viagem subindo pelas montanhas de Mina Gerais, sempre levando no coração a força do Espirito Santo e de sua gente.

Sobre nossa rotina diária, nosso casal de filhos desenvolveu os estudos normalmente em uma escola do município de Vila Velha, enquanto estivemos no estado do Espírito Santo. Eles concluíram o ano letivo, a menina o segundo ano e o menino o primeiro ano. A rotina de estudo deles segue em cada lugar que permanecemos por mais tempo.

Para nós é uma honra trabalhar com a natureza, mas nós notamos que as empresas e a sociedade de consumo deixam de lado as fontes de água e colaboram para a poluição dos rios.

É triste ver a realidade do Brasil, da Colômbia e de todos os países que já percorremos, mas vimos que além de nós, existem muitas pessoas fazendo coisas boas pela natureza. Nós nos unimos a elas.

Ivonne Buenaventura
Integrante do Coletivo Voando Livres

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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