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Projeto universitário trabalha pra manter viva a história do jornalismo capixaba na época da ditadura militar

Relatos de subversivos e apoiadores ao regime militar na imprensa capixaba integram uma produção acadêmica que proporciona para estudantes de jornalismo o contato com ícones da história capixaba

O projeto de Iniciação Científica “Relatos Ausentes”, do curso de jornalismo, na Universidade Vila Velha (UVV), tem como ideia principal, resgatar e estudar a história da imprensa capixaba no período ditatorial 1964-1985, época em que os militares assumiram o governo do país.
O projeto consiste em ouvir o relato de alguns profissionais da área de comunicação do Espírito Santo, para entender como eles vivenciaram a realidade da imprensa local com a censura imposta nas redações. Feito isso, as alunas transformam o material recolhido em um produto audiovisual.

“A proposta é entender a posição que as empresas jornalísticas e os jornalistas assumiram diante da ditadura. E, a partir dessas questões, traçar um quadro mais amplo da sociedade capixaba e da imprensa brasileira. Muito se sabe sobre repressão e censura à imprensa no Rio e em São Paulo, mas precisávamos descobrir e entender como ela acontecia no Espírito Santo”, afirma Rodrigo.

Para as alunas que participam do projeto, ele é um incentivo para estudar o passado, pois possibilita o contato com documentos históricos, experiência que mostra os desafios da profissão na função de apurar informações.

Função das estudantes
As monitoras participam de todas as etapas do projeto. Diante do material recolhido e junto com os coordenadores são tomadas as decisões sobre os pontos a serem mais explorados no desenvolvimento das entrevistas.

O contato com fotógrafos, jornalistas de grandes veículos, ou alternativos, ex-comunistas, e também apoiadores do regime militar, aponta a diversidade do trabalho desenvolvido, e para a estudante que integra a equipe desde agosto de 2014, Roberta Santos, é motivo de honra entrevistar e estudar a vida dos profissionais de grande importância na história da imprensa capixaba.

“O projeto significa uma nova experiência na minha vida, onde eu estou conhecendo um lado da história que ainda não conhecia”, afirma a aluna.

As estudantes realmente “colocam a mão na massa”. Como é um projeto de pesquisa, exploram momentos de leitura com debate de textos relacionados à ditadura militar, a memória e a história oral. A atividade coloca em prática a teoria estudada em sala de aula e proporciona a vivência do que será exigido no mercado, fora da faculdade.

São seis alunas, entre o primeiro e o terceiro período do curso de jornalismo da UVV, que foram selecionadas por um edital e recebem uma bolsa pela Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular- Funadesp.

Com uma base audiovisual e textual, as estudantes produzirão artigos para congressos científicos. E no final do projeto, segundo Rodrigo, será produzido um livro para preservar e contribuir com a história da imprensa no Espírito Santo.

Personagens entrevistados até o momento: Glecy Coutinho, Pedro Maia, Milson Henriques, Rogério Medeiros, Rubinho Gomes, João Amorim Neto e Gildo Loyola. Outros cinco personagens ainda serão entrevistados.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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