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Projeto promove aprendizado mútuo e inclusão social

“A sensação de dever cumprido é enorme”. Esse é o sentimento do aluno do último período do curso de História, Diego Mateus, professor de História do Brasil no projeto de extensão Compartilhando Saberes, desenvolvido na Universidade Federal do Espírito Santo. Com foco no relacionamento entre alunos e comunidade, e na troca de experiências e saberes entre os seus atuantes, o projeto oferece aulas gratuitas a estudantes de escolas públicas que não tem condições de custear um cursinho pré-vestibular para alcançar a aprovação. As aulas, de todas as disciplinas, são ministradas por universitários e mestrandos da Ufes, e de outras instituições de ensino. No total, são 7 bolsistas e 32 voluntários.

Para Diego, além de contribuir e ver no olhar de seus alunos a gratidão pelo trabalho desenvolvido, é gratificante vê-los já aprovados pelos corredores da Universidade. “Eles se sentem privilegiados por estarem aqui, não apenas estudando, mas convivendo no ambiente da universidade, conhecendo e descobrindo as possibilidades existentes aqui dentro”.

Em quatro salas com 270 estudantes, o Compartilhando Saberes acontece na própria Ufes, diariamente, e, conforme a necessidade, aos sábados e domingos também. Para a coordenadora Cassandra Fernandes, o que o difere de um pré-vestibular convencional é o tratamento. “Não os tratamos aqui como um número que vai nos proporcionar reconhecimento e prestígio. Nós temos um perfil de inclusão, enxergamos nesse aluno um futuro universitário e profissional bem sucedido. A gente trabalha em cima de um perfil do estudante enquanto cidadão”.

O trabalho, que existe desde 2010, no último vestibular da Ufes aprovou mais de 50% dos alunos, além daqueles que conseguiram desconto em outras faculdades. Cassandra afirma que o trabalho é conjunto e tem dado certo. “A cada ano vai melhorando um pouco mais, todos nós aprendemos juntos, eu, professores e estudantes. Tem dado muito certo, nós fazemos atividades de campo, levando os alunos para outros locais onde eles possam ganhar conhecimento fora da sala de aula. Em um passeio conseguimos falar de História, Biologia, Geografia”.

Segundo Diego, o projeto é necessário para os alunos, que veem ali uma oportunidade, e também para os alunos-mestres, que ganham um fortalecimento acadêmico, a partir da prática docente. “É uma via de mão dupla, pois todos são beneficiados. Para nós, enquanto alunos universitários, é uma experiência que nos possibilita não chegarmos crus ao mercado”, disse.

Cassandra reitera o posicionamento do professor: “é muito importante eles terem a referência de contato com a comunidade, com a inclusão e cidadania desses alunos, e ainda o contato com a sala de aula. Não é um estágio, é uma experiência real, pois muitos nunca deram aula e iniciaram aqui, primeiro com a monitoria, sendo auxiliados, e depois encaram o desafio de lecionar. Além disso, a gente traz a comunidade para dentro da universidade, que é de uma riqueza muito grande para eles”. De acordo com ela, o projeto já conseguiu com que os alunos do projeto paguem o mesmo valor do que os estudantes da Ufes no Restaurante Universitário. A outra bandeira a ser conquistada, conforme informou, é o passe escolar, pois é elevado o índice de evasão escolar pela falta de recursos para a passagem.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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