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Professar a Fé e viver o compromisso do Amor

Quando nos propomos a  refletir sobre a fé nos escritos de Paulo, nos deparamos com a carta aos Gálatas, na qual o apóstolo exorta veementemente que a justificação vem pela fé e não pode ser obtida através das obras da lei. Sendo assim, a relação entre a fé, a justificação e as obras da lei é essencial para perceber que a ocorrência do termo fé está ligada à questão da gratuidade da salvação. Muito importante na compreensão teológica de Paulo, a fé ocupa um lugar de destaque em sua reflexão, assim como em todas as suas cartas. Para o apóstolo, a fé não é simplesmente um ato reflexivo, nem mesmo uma elaboração teórica que nasce a partir da percepção da realidade divina revelada. Ela é, sobretudo, uma ação concreta do fiel que, impulsionado pela graça de Deus, responde e corresponde ao chamado divino e às necessidades concretas oriundas deste chamado. Deste modo, a fé passa a ser uma resposta histórica, pessoal e comunitária à salvação operada por Deus em Jesus Cristo, que deve ser vivenciada por meio de sinais concretos, particularmente, pelo amor solidário e compassivo.

É possível perceber dois aspectos estreitamente ligados entre si no conceito de Paulo sobre a fé: a orientação da fé verso o kerigma cristão e a fé como uma decisão concreta na vida do fiel. A ideia paulina de fé é sempre direcionada a Deus com uma ligação direta em Cristo, já que, para Paulo, a pregação do Evangelho é imprescindível para que surja a fé. Ao responder ao anúncio do Evangelho, o fiel passa a ser movido pelos seus valores, e iluminado por sua luz, é capaz de dar respostas às questões concretas de sua vida. Neste caso, o ato de crer está implicado num acolhimento profundo e concreto de uma verdade de fé, pois acolher o Evangelho implica diretamente num processo de intensa conversão e mudança de atitude. Desta maneira, a fé possui também um caráter de resolução, um movimento por parte do homem de se moldar aos critérios próprios do Evangelho. Uma resposta positiva a este por meio da fé determina a existência do homem cristão e inaugura uma nova postura e conduta de vida. Tal resposta ao chamado divino é sempre permeada pela graça de Deus, ao mesmo tempo que esta nova postura do cristão tem no amor concreto a sua expressão máxima.

Desse modo, ao convite da fé o homem pode responder positivamente, vivendo pela fé e praticando o amor, como também negativamente, abandonando não apenas a fé, mas também a salvação alcançada na cruz de Cristo. Sendo assim, o dinamismo da fé, alimentado pela experiência do amor de Deus, faz com que o fiel deseje cada vez mais unir-se a Cristo na vivência do amor fraterno. De modo que, a fé se torne uma resposta e um compromisso com o Evangelho, onde a relação com Cristo é inevitável, fazendo com que o fiel se torne discípulo de um amor fruto da experiência de fé. Pela fé todos são chamados a uma vida nova, marcada pela novidade do Evangelho e vivida no amor gratuito e solidário, sinal concreto da fé que se professa.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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