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Primeiros registros do Congo Capixaba

Não há precisão de quão antigas são as bandas de congo que se espalham pelas terras capixabas. Certo é que já em tempos remotos tínhamos essa manifestação aqui representada.

Infelizmente, os relatos dos primeiros anos de colonização não chegaram aos nossos dias e apenas poucos viajantes do século XIX se preocuparam em transcrever o que se passava pelo interior do Espírito Santo.

Dentre esses podemos destacar o relato de viagem do Bispo Pedro Maria de Lacerda, que visitou Nova Almeida, na Serra, em 1880 e deixou apontamentos que podem ser encontrados no livro Diários das visitas pastorais de 1880 e 1886 à Província do Espírito Santo, publicado em 2012, que relata a riqueza dos detalhes das apresentações das bandas de congo capixaba.

 

Apontamentos de  Dom Pedro Maria de Lacerda

Domingo 5 de setembro de 1880

Depois da missa cantada, apareceram, de baixo da janela, alguns índios a dançarem ao som do seu tambor, chocalho, cassacos [casaca], e monótono canto. A música como tantas outras vezes acompanhou-me à casa do Vigário para jantar e na volta para minha residência, e isto à vista do grande povaréu, então presente na vila.

 

Quarta Feira 8 de setembro de 1880

Depois do jantar, o Capitão dos índios veio à frente da casa, com alguns (…) índios a tocarem seu Guarará (pequeno tambor cilíndrico) e sua Cassaca (pau dentado que esfregam com uma vara) e sua Massaracá (chocalho) e ali esteve o Capitão a dançar e mais outro curioso índio, e também um negro velho, ao mesmo tempo que os batedores do tambor e os outros instrumentos soltavam, a espaços, seu monótono e tristonho canto inarticulado e que não passa de um som prolongado.

É de saber que os tocadores do guarará, quando vêm, os trazem debaixo do braço, e, quando param, montam-se sobre ele e com ambas as mãos batem no couro de uma das bocas. Os mais ficam em pé.

Adiante do tambor é que se dança, que é simplíssima, mas tem sua graça: o capitão, esse tem na mão a vara, que ele empunha com muito garbo. Com música fomos jantar, como sempre, à casa do Vigário…

Diovani Favoreto
Historiadora 

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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