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Por que há necessidade de se fazer campanha para que as mulheres entrem na política

“Quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando várias mulheres entram, muda a política.” (Michelle Bachelet)
participação das mulheres na política é fundamental para a transformação da sociedade e para o fortalecimento da democracia. A ausência delas nos espaços de poder e decisão prejudica a democracia no país e é uma dívida que a sociedade brasileira ainda tem para com as mulheres. As mulheres são hoje no Brasil 50,75% da população brasileira e 51,82% do eleitorado nacional (TSE, 2010), mas representam apenas 9,9% das vagas na Câmara dos Deputados e 13,6%  no Senado Brasileiro.

Desde o século XX, as mulheres de todo o mundo se organizaram para combater as discriminações nos diversos campos de atuação social e política. Um dos desafios que afeta particularmente as mulheres brasileiras é o de reverter a desigualdade político-representativa das mulheres nos espaços de poder e decisão, de desconstruir os lugares (masculinizados) para a sua atuação política mais ampla.

Uma das razões que tenderiam levar as mulheres a abordar a política de uma maneira diferente dos homens são as diferentes experiências de vida que as mulheres têm em comparação com as dos homens. As mulheres tendem a trazer as suas experiências e conhecimentos vividos cotidianamente para apoiar suas decisões políticas, numa nova perspectiva de vida.

Considerando a inexistência de mulheres nos espaços de poder e decisão do atual governo brasileiro, nos preocupa profundamente a qualidade de atenção que será dada às políticas públicas sociais e a qualidade de superação das desigualdades sociais que ainda persistem no país e que impactam fortemente nas dimensões de gênero, raça e etária. Sem dúvida, esta ausência irá comprometer a consolidação do processo democrático e de desenvolvimento do país.

Outro aspecto fundamental é que, no Brasil, as regras do jogo político-representativo e os procedimentos que orientam o sistema político-partidário foram construídos e mantidos por homens e para os homens. Regras estas com traços tradicionais, patriarcais e masculinos, que excluem as mulheres dos espaços institucionalizados da política.

Uma das alternativas para enfrentar a sub-representação feminina no Legislativo brasileiro tem sido a adoção de ações afirmativas. Com a Lei 9.504/97, se instituiu uma reserva mínima de 30% de vagas para as mulheres candidatas. Com a Lei 12.034/2009, os partidos são obrigados a destinar 5% do Fundo partidário à criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres. Além disso, devem reservar ao menos 10% do tempo de propaganda partidária para promover e difundir a participação política feminina.

Por tudo isso, é imprescindível que as mulheres participem efetivamente da vida partidária. Que os partidos desenvolvam formação política de qualidade e continuada para as mulheres, de modo especial, para as candidatas femininas. Que sejam criadas as condições para que as mulheres se sintam estimuladas a participarem ativamente das organizações partidárias e não fiquem à mercê do jogo de interesses masculinos.

Ana Rita Esgario
Ex-senadora PT/ES
Conselheira da CJP – Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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