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Para fazer a vida vibrar mais

Nunca se falou tanto em saúde. Nunca se experimentou tanto o esgotamento. As forças humanas são demandadas de todos os jeitos e formas. Mas ainda e apesar de tudo que se coloca contra a vida somos chamados a sorrir, a ir devagar, a não nos alterar (na medida do possível). Viver os tempos árduos sem se endurecer, manter-se sereno, olhar os fatos e as realidades sem necessariamente tomar para si a dramaticidade dos mesmos. Um desafio. Pois bem, há um convite nas dificuldades dos tempos presentes para que inventemos modos de fazer a vida vibrar mais, e assim afetar o mundo com novas posturas.

O mundo dominado pelo capitalismo não apenas esgota os recursos naturais, ou acaba com eles, mas esgota-nos a todos. Esgota-nos com promessas de plenitudes. Esgota-nos com promessas de realizações. Esgota-nos preenchendo-nos de vazios, de coisas. A insatisfação, o descontentamento, a irrealização e perdas de sentido nos sufocam de todos os lados e de todos os modos e intensidades. Mas, a despeito de tudo isso o humano em nós permanentemente está em movimento a nos exigir que não cedamos à violência, à agressividade, ao egoísmo, mas que busquemos caminhos para nos fazer ainda mais humanos.

Muitas tentativas se levantam aqui e ali. Teimam em surtir efeitos proporcionalmente menores do que seria necessário. Ainda assim precisamos persistir, carinhosa e corajosamente, no manejo das possibilidades para preservar a vida e mantê-la num certo território onde ela possa ser vivida de forma mais intensa e bonita. A arte nas suas várias formas pode nos ajudar a encontrar um bom destino em meio a tantas dificuldades. A arte: desta ou daquela maneira, nesta ou naquela expressão.

Recentemente uma pesquisa realizada por uma universidade de Roma mostrou que a leitura (de obras da literatura) torna as pessoas mais felizes, menos propensas às agressividades, mais criativas nos enfrentamentos das dificuldades. Ou seja, alimentar o espírito (com arte) parece ser tão importante quanto alimentar o corpo. Dentro desta perspectiva é que me mantenho por um bom costume sempre acompanhado de um livro de literatura. Agora mesmo acabei de ler Os Irmãos Karamázov de Dostoiévski. Livro que, desde que li Crime e Castigo do mesmo autor uns bons anos atrás, tinha me proposto a ler, mas que foi ficando para trás nas seleções de leitura. A experiência foi ótima. Cerca de novecentas páginas lidas tranquilamente. E não foi ótima por ser um clássico. Foi ótima porque em tempos de ansiedades aquelas novecentas páginas de densidades humanas me pediam paciência, sensibilidade e disciplina.

Os tempos difíceis quase nos exigem estes empreendimentos. Pois que as leituras dessas obras de literatura se nos oferecem nestes tempos como modos de estabelecermos em nós a ampliação da inteligência emocional, a potencialização da empatia, e o aperfeiçoamento de nossas capacidades para a compreensão dos outros, dos acontecimentos, do mundo.

Dauri Batisti 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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