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Oração pessoal inspirada na liturgia

No dia 16 de julho, a Igreja celebra em grau de festa o título da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (Nossa Senhora do Carmo) e, por essa liturgia, recorda a cada fiel, como também às comunidades, a essencialidade da vida centrada no amor de Deus, através do mistério de Cristo, o Filho de Maria.

O itinerário da vida cristã requer cultivo, maturação e desdobramento na experiência da oração pessoal, como contínua contemplação do mistério celebrado, liturgicamente, em âmbito eclesial.

A Palavra de Deus é o anúncio de vida nas ações litúrgicas e o referencial para o diálogo afetuoso e confiante do cristão com o Senhor, ou seja, ela é a guia de oração e contemplação, para a permanente atitude de comunhão. O salmista afirma: “Feliz o homem que não vai ao conselho dos ímpios, não para no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores. Pelo contrário: seu prazer está na lei do Senhor, e medita sua lei, dia e noite. Ele é como a árvore plantada junto d’água corrente: dá fruto no tempo devido e suas folhas nunca murcham; tudo o que ele faz é bem sucedido.” (Sl 1,1-3).

O mistério celebrado na liturgia é, por excelência, a espiritualidade cristã. Retomar meditativamente a Palavra e os elementos rituais vividos, e transpô-los para a dimensão pessoal da oração, é aprofundar e ampliar os efeitos do mistério celebrado, no compromisso de vivê-los e comunicá-los na diversidade da vida, em testemunho. O método da leitura orante da Palavra de Deus (Lectio Divina), com seus clássicos passos (1- Leitura; 2- Meditação; 3-Oração; 4-Contemplação), também pode ser aplicado para recordar e aprofundar as ações rituais.

A Constituição Sacrosanctum Concilium (sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II) afirma e orienta: “Contudo, a vida espiritual não se limita unicamente à participação da sagrada Liturgia. O cristão, chamado para a oração comunitária, deve também entrar no seu quarto para rezar a sós ao Pai; e, até segundo ensina o Apóstolo, deve rezar sem cessar.” (SC 12). E, ainda, esclarece que os atos de piedade sejam inspirados na liturgia (cf. SC 13).

A vida contemplativa, de oração, é o ruminar, o aprofundar e o expandir da graça em cada cristão. Em suma, é a vivência contínua, qual respirar, da parceria da Aliança, sempre ressignificada e renovada pela ação litúrgica.

Fr. José Moacyr Cadenassi
Franciscano capuchinho, letrista, cantor, consultor de liturgia, apresentador de rádio e agente de ecumenismo e diálogo inter-religioso

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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