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Obras de Misericórdia espirituais

Aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas incômodas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos. Estas são as obras de misericórdia espirituais indicadas pela Igreja.

O Papa Francisco manifesta, na Bula O Rosto da Misericórdia, o seu desejo de que todos os cristãos reflitam sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual no Ano da Misericórdia, como uma maneira de despertar a nossa consciência adormecida diante do drama da pobreza e do sofrimento humano e entrar no coração do Evangelho, onde os pobres (aqueles que padecem nas periferias existenciais) são os privilegiados da misericórdia de Deus, revelada plenamente em Jesus Cristo. Elas evidenciam se estamos vivendo ou não como verdadeiros discípulos do Senhor.

Cabe aqui a análise sociológica de Zygmunt Bauman sobre as pessoas classificadas como “redundantes” – enquadradas na chamada ‘underclass’, isto é, pessoas que não fazem parte das classes sociais; ao contrário, são refugo humano descartado pela sociedade contemporânea. Em nível mundial, o drama dos refugiados exemplifica essa realidade. No Brasil,  vemos a “população em situação de rua” e, de forma muito dramática, os usuários de droga que habitam as calçadas dos centros urbanos.

Também vivem na periferia existencial aqueles que aparentemente sem problemas significativos, carecem de acolhimento, de amor e da verdade que vem de Deus, dos quais a Igreja deve ser sacramento.

As obras de misericórdia espirituais e corporais fazem parte do processo de santificação na medida em que fazemos o exercício de sairmos de nós mesmos, buscando a comunhão primeiro com Deus e a partir daí com o próximo, considerando que toda comunhão verdadeira se dá a partir de Deus.

Por isso, as verdadeiras obras de misericórdia espirituais precisam ter como motivo e fundamento Cristo (por Cristo, com Cristo e em Cristo). Não são fugas do mundo nem visam trazer algum tipo de vantagem ou mérito pessoal, mas são uma resposta generosa e solidária da pessoa que experimenta o amor de Deus.

No contexto do Ano da Misericórdia, são uma excelente oportunidade para fortalecer as virtudes que nos tornam semelhantes a Cristo, pois pelo Sacramento da Penitência e da Reconciliação, obtemos o perdão dos nossos pecados, mas eles deixam desordens em nossa vida e danos aos próximos e à Igreja, que são reparados pela prática das obras de misericórdia possibilitadas pela graça divina.

Vitor Nunes Rosa
Professor de Filosofia na Faesa 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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