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O sentido de celebrar a liturgia

A liturgia, momento da história da salvação, é a evidência da comunhão dos discípulos com o seu Mestre e Senhor, em continuidade da missão transformadora e vivificante do Ressuscitado. A liturgia converge toda a existência humana; as ações litúrgicas são sinais do caminho do discipulado na parceria da Aliança, como etapas pascais vividas; por isso, a Páscoa de Cristo é o motivo único de celebrar.

Não faz sentido denominar a liturgia com motivos extras e particulares de pessoas ou grupos de interesse, apropriando-se do culto sem conhecimento e aprofundamento, e isolando-o do contexto eclesial. Isso tem ocorrido com a liturgia eucarística, a qual tem sido equivocadamente tematizada, de forma livre e sem critérios, com motivos circunstanciais e objetivos de pessoas, grupos ou movimentos presentes na Igreja.

Não existe “missa do movimento”, “missa da pastoral”, “missa de cura”, “missa de libertação”, “missa vocacional”, “missa segundo o carisma de uma ordem ou congregação religiosa”, “missa das crianças ou da família”, “missa sertaneja” etc. Existe a celebração da Eucaristia, quando todos podem e devem, como batizados em Cristo, celebrar e participar da única ação pascal: os sãos, os doentes que desejam a cura, os oprimidos que desejam a libertação, os vocacionados, os religiosos e todos os que vivem a sua vocação específica, os agentes de pastoral, os membros dos movimentos e, enfim, todas as categorias de fiéis. É a Páscoa do Senhor, pela ação litúrgica, que vai iluminar, em discernimento e transformação, o que as referidas categorias têm vivenciado.

Não são aspectos particulares e nem elementos materiais, visuais ou sonoros – cartazes, letreiros ou faixas; ornamentações supérfluas; ambientação temática; músicas escolhidas ou divulgadas por uma pessoa, grupos ou movimentos específicos; gestos forjados e até caricatos; comportamentos esfuziantes; temas de campanhas ou relacionados a circunstâncias históricas – que darão o sentido ou a denominação para as liturgias.

Os ritos específicos da Igreja, de acordo com cada modalidade de celebração, e em sintonia com a Palavra de Deus, a qual está presente em todas as celebrações litúrgicas, é que garantem o tom, o motivo e o sentido de celebrar. Há a necessidade e a urgência de foco, observação, conhecimento, conversão e determinação das assembleias celebrantes. Conhecer os ritos é o ponto de partida para uma liturgia renovada e coerentemente participada.

Fr. José Moacyr Cadenassi 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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