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O prazer em comer

Hoje em dia a ênfase no que se come é enorme. Estamos vivendo uma era em que se come para ter saúde. Priorizamos os nutrientes que previnem doenças, valorizamos cada vez mais os compostos funcionais dos alimentos como, por exemplo, ômega 3, licopeno, catequinas, resveratrol, antocianinas, flavonóides, dentre tantos outros.

São inúmeros os livros, as revistas e jornais trazendo noticias sobre os alimentos e compostos milagrosos que combatem os males de obesidade, inflamação e câncer. Assim, os alimentos são categorizados como “saudáveis” e “não saudáveis”, sendo que o prazer em comer está comumente associado à culpa e ao arrependimento.

Esse cenário não tem tornado as pessoas mais saudáveis. Ao contrário, os índices de obesidade e doenças metabólicas são crescentes a cada ano. O que percebemos é um aumento relevante de pessoas com uma preocupação excessiva com a comida, e em grau mais sério, o desenvolvimento de transtornos alimentares.

Parece que estamos esquecendo que as pessoas comem por diversas outras razões que não as necessidades fisiológicas de fome e saciedade. Já imaginou um aniversário sem bolo? Uma festa de casamento sem canapés? Um encontro de amigos sem comida? Toda nossa vida discorre em torno da comida. Sendo assim, comida também é prazer, família, encontro, comemoração e hábito.

Comer é essencial à vida… comemos desde que nascemos. A comida nos dá energia e mantém nosso corpo funcionando. Não podemos ignorar que as pessoas sempre se alimentaram, mesmo antes da ciência na nutrição, quando não se conheciam os efeitos dos nutrientes sobre o corpo.

Realmente as funções biológicas dos nutrientes são muito importantes, mas comer não é somente isso. Os hábitos e preferências não podem ser irrelevantes. Reflita um minuto e responda a seguinte pergunta: “Por que você come o que você come? O que norteia as suas escolhas de café da manhã, de almoço, de jantar?” Certamente é porque você gosta do alimento. Ninguém consegue, por muito tempo, comer algo que não lhe trás prazer e o que não gosta.

Comer se constitui numa das mais prazerosas experiências dos humanos. Quando comemos um alimento saboroso liberamos dopamina no cérebro, o neurotransmissor relacionado ao prazer. É por isso que comer é muito bom e não tem nada de errado em gostar de comer.

Atualmente está faltando prazer em nossas refeições. Não temos valorizado o momento de comer, geralmente estamos nos alimentando com pressa, com os pensamentos agitados, pensando na próxima tarefa, nos problemas e obrigações a cumprir, ou seja, estamos perdendo a experiência do prazer. Comer por prazer não é apenas comer devagar, é muito mais do que isso: é se concentrar e se envolver com cada mastigada, percebendo todas as nuances do alimento.

Quando fazemos disso uma parte regular de nossas vidas, nos beneficiamos de várias maneiras. Honrar os desejos por comida alimenta nossos corpos de uma maneira verdadeira. Coma o que você ama, simplesmente. Não se privando, você não irá comer demais e quanto mais prazeroso você sentir a experiência de comer, maior a probabilidade de parar de comer quando suas necessidades físicas forem satisfeitas.

Viver Bem

Mariana Herzog
Nutricionista e mestre em Ciências Fisiológicas pela Ufes com aprimoramento em transtornos alimentares pela USP

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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