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O pão: partilha e comunhão!

Nas narrativas dos Evangelhos, Jesus Cristo vai se revelando sobre vários títulos e no capítulo 6 do Evangelho de São João, Jesus se revela como o “Pão Vivo descido do céu” (Jo 6,51).

O capítulo IX da Didaqué, o primeiro catecismo da Igreja, expressa que os cristãos são como o pão que fora espalhado em todas as partes, mas que se reúnem para proclamar a glória do Senhor: “Depois diga sobre o pão partido: Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre. Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre”.

Quis Jesus que a presença atualizada e real do seu Corpo e Sangue se desse através do pão. O pão sempre esteve presente na história do povo e nas narrativas evangélicas: duas vezes o pão é multiplicado (Mt 14,13-21; 15,32-39), fala-se das migalhas de pão que caem da mesa do rico sem chegar à boca do pobre Lázaro (Lc 16,19-31), fala-se do pão em abundância na casa paterna, que passa pela mente do filho pródigo em terras distantes, e lhe faz ter saudades do Pai (Lc 15,11-32); a Igreja é comparada a um recipiente cheio de farinha que espera crescer pela força do fermento (Lc 13,20-21); e Jesus fala de si mesmo como o grão de trigo que deve morrer (Jo 12,24).

O pão é também sinal de comunhão. Paulo precisava manter a unidade e o respeito dentro das comunidades neocristãs. Onde faltam o respeito e a unidade, a comunidade não vive. Sabiamente Paulo recorre ao argumento mais forte: a Eucaristia que, além de ser a presença real de Jesus Cristo Vivo, é sinal de unidade entre os irmãos. Por isso, Paulo em outra passagem bíblica diz: “quem não tem o coração pronto para comer e beber o Corpo e Sangue de Cristo come e bebe a própria condenação” (1 Cor 11,19). Se não há unidade mas sim ódio, rancor, inveja, fofoca, desrespeito e desunião entre os irmãos, a comunhão se torna motivo de condenação.

A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando de antemão a manhã da Ressurreição. Também em nossas vidas temos que preparar essa alvorada. Tudo o que é caduco e nocivo, o que não presta (o desânimo, a desconfiança, a tristeza, a covardia) tudo isso deve ser jogado fora. A Eucaristia traz a novidade divina nos filhos de Deus, que gera uma renovação de todos os nossos sentimentos e de toda a nossa conduta.

Uma pergunta: somos pessoas comprometidas com os irmãos fazendo comunhão? Uma pessoa eucarística é uma pessoa de comunhão no bem.

Ruan Coutinho da Cruz
Seminarista do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Penha

 

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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