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O lugar do encontro

O espaço litúrgico, também chamado de espaço celebrativo ou espaço sagrado, é o lugar da mistagogia e do encontro, onde a assembleia celebrante é introduzida na esfera do Mistério, para a comunhão mística e a intensificação na parceria da Aliança. Ele tem o seu diferencial: é o lugar do atemporal e do transcendente.

Particularmente, ele possui dois polos, também chamados de mesas, que são referenciais da manifestação de Cristo: a mesa da Palavra e a mesa do Altar. Ao redor delas, em unidade de culto, atualiza-se, ritualmente, o Mistério Pascal do Senhor. Na atitude de dar graças e no consequente comer e beber – gestos que brotam da vivência da Palavra – assume-se e incorpora-se as atitudes salvíficas e ressuscitadoras do Senhor.

O espaço litúrgico é o lugar da experiência comunitária, pela fé, com o Senhor, onde o corpo de Cristo é também visibilizado através da união dos seus membros, os batizados; Cristo é a cabeça desse corpo. O Mistério, de forma ímpar, manifesta-se através da corporeidade humana.

Outros elementos também compõem o lugar da celebração comunitária. Eis alguns: a fonte batismal (sinal do princípio do seguimento de Jesus Cristo); a cruz (levada em procissão aos domingos e dias festivos, conduz o caminhar dos eleitos rumo à fonte do Altar e sinaliza o Mistério Pascal como centro da vida cristã); a iconografia (guia visual e com referência artística, é um indicativo do itinerário místico e expressão da beleza do Mistério, com referência na Palavra e contendo representações de Cristo e suas testemunhas); o Círio Pascal e as velas (sinais da luz de Cristo); as flores (sinais da vivificação em Cristo). No espaço não existem adereços ou meros ornamentos mas, com funcionalidade, tudo está relacionado com a celebração do Mistério Pascal.

Percebe-se, ainda, muita falta de critérios na composição dos espaços em diversas comunidades. Confunde-se o sentido mistagógico do espaço com um mero senso estético, muitas vezes levando em conta o devocional e não a mistagogia. Urge uma formação mais profunda nas dimensões da espiritualidade cristã, perpassando pela teologia, liturgia e arte e consequente sensibilização para o belo.

Os templos, no decorrer da história da Igreja, foram também sendo construídos e elaborados com acentos teológicos de épocas correspondentes. Muitas igrejas não correspondem, obviamente, ao espírito do Concílio Vaticano II em sua elaboração espacial; outras foram adaptadas. E outras, atualmente, são edificadas sem os critérios do Concílio e as orientações, hoje, das respectivas conferências episcopais.

Fr. José Moacyr Cadenassi, OFMCap 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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