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O Grande Tesouro que é o Reino de Deus (Lc 12,34)

Nos Evangelhos, por vezes, os discursos de Jesus apresentam uma grande preocupação com a riqueza e a ganância desmedida, como algo que corrói o coração do homem e constrói um mundo imensamente desigual. De fato, os dados recentes apresentam uma imensa concentração de renda nas mãos de pouquíssimos, enquanto a imensa maioria da população mundial é relegada à miséria extrema. O anúncio de Jesus segue noutra direção, ou seja, Ele apresenta o Reino de Deus como a grande riqueza que deve tomar, por inteiro, o coração do cristão. Se por um lado, rico para o mundo é aquele que se preocupa em acumular tesouros que perecem, para Deus, por sua vez, é rico aquele que se abre à Fé, que leva a total confiança no amor do Pai. Uma confiança capaz de fazer com que o seu coração esteja sem medos, livre de qualquer angústia, pois, guarda no coração as Palavras de Jesus: “Buscai o seu Reino e essas coisas vos serão acrescentadas” (Lc 12,31).

O tesouro do coração do fiel está baseado na certeza da presença, do amor e da bondade de Deus em sua vida, algo que o faz perder o medo e crescer na confiança no Pai, todos os dias de sua vida. Porém é importante recordar que os que caminham com Cristo, que colocam o seu coração no Reino, reconhecendo-o como o seu maior tesouro, não vivem a alegria do Reino somente depois de sua morte. Ao contrário, cheios de confiança nas promessas divinas, seguindo os passos do Mestre, eles apressam a vinda do Reino de Deus. O seu modo de vida, marcado pelo amor do Pai que os sustenta, é capaz de mudar a história, fazendo com que os valores do Reino já sejam vistos e reconhecidos em sua vida cotidiana. Sendo assim, quando Jesus afirma que foi do agrado do Pai dar o Reino ao seu pequeno rebanho, Ele não se refere somente ao Reino eterno, depois da morte. Tal afirmação deve ser compreendida no dia a dia do cristão, chamado a ser seu discípulo missionário, capaz de trazer para o mundo as realidades divinas. Alguém que ao assumir o seu lugar no mundo, torna-se portador das coisas do céu para a terra, mudando a história, por meio da renovação contínua do amor, da solidariedade e da compaixão, de maneira especial com os que mais precisam.

Os cristãos são chamados a reconhecer o Reino como o seu maior tesouro, colocando o seu coração, o seu empenho, enfim, toda as suas forças na construção do mesmo no coração do mundo. São chamados a reconhecer que já possuem uma riqueza imensa que é o amor do Pai, a fim de que se tornem corajosos e audazes no seu testemunho dos valores do Reino que abraçaram. Todos serão reconhecidos como filhos e filhas de Deus a medida em que forem capazes de amar e se compadecer dos pequenos e pobres, tornarem-se próximos dos excluídos e marginalizados, defendendo a vida sempre e de todos os modos.

A sua riqueza consiste em se tornarem a face amorosa de Deus, que se mostra aos que mais necessitam, abrindo o tesouro de seus corações, a fim de revelarem as coisas do céu, aos que vivem e sofrem ainda na terra.

O Reino de Deus se torna o grande tesouro do discípulo de Cristo quando ele descobre os valores do Evangelho e se deixa formar pelos mesmos. De modo que possam abraçar as coisas do céu, trazendo-as para a vida dos homens e mulheres, principalmente, dos que mais sofrem. De fato, muitos são os desafios para que o Reino de Deus seja contemplado no mundo, algo que pode roubar a coragem e audácia do coração dos discípulos de hoje. Porém, o Senhor sabe que tal medo e insegurança poderiam lhes roubar a confiança e a certeza de sua presença sempre com eles. Algo que retiraria de seus corações a alegria, a paz e coragem para enfrentar os desafios próprios da missão a eles confiada. Sendo assim, a exortação do Evangelho é direta, ou seja, não se pode dar lugar ao medo, pois, ele pode fazer algo ainda mais grave, que é retirar o coração do discípulo missionário de onde deve estar, ou seja, de dentro do coração de Cristo.

Somente unido ao Senhor é que o discípulo passa a compreender a riqueza do grande tesouro do Reino e por ele doa a sua vida, colocando-se ao lado e na defesa da vida dos excluídos e marginalizados. Pois, o Reino de Deus, que tem seu início na terra dos homens, deve ser o grande tesouro de todos os que abraçaram a fé, a fim de que, por sua presença, as família, a Igreja e a sociedade sejam transformadas, segundo os valores do Reino, o maior tesouro que o cristão pode ter.

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza
Professor de Sagrada Escritura no CECATES e Doutor em Sagrada Escritura

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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