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O galho e a raiz da árvore

Sabemos que todo ponto de vista é visto de um ponto. Já na Patrística escrevia-se e falava-se disso. Eu também desejo refletir a partir de um ponto de vista. O meu ponto de partida é a fé trinitária. Deus se revela para a humanidade como Amor, ao nosso modo de entender em três pessoas realmente distintas, Pai, Filho e Espírito Santo, nossa Fonte de Vida e nosso Destino.

Pois bem, eu tenho encontrado pessoas muito competentes em questões econômicas financeiras, preocupadas com a sociedade brasileira e mundial. São competentes em número, analises financeiras e seriamente preocupadas com o mundo econômico, buscando soluções. Detestam o marxismo e o apontam como causador de muitos problemas vividos hoje e, expressam grande receio e pavor deste ‘dragão’ que se chama “comunismo”. Apegam-se à solução capitalista como salvação para os nossos problemas sociais. Criticam a CNBB e reduzem todos os que pensam diferente deles a uma chamada ‘TL’ ou Teologia da Libertação, sem saberem que há mais de uma maneira de entender a Teologia da Libertação, sendo que, uma delas ‘é útil e necessária’ como já afirmava São João Paulo II, Papa, de saudosa memória.

Estas pessoas competentes no campo econômico esquecem-se ou ignoram que tanto o capitalismo como o marxismo são conquistas superadas no pensar e caminhar da história. Ambos os sistemas estão em volta somente do mundo econômico e, a partir daí buscam soluções sociais que jamais conseguirão resolver. Eles se agarram aos galhos da árvore da vida humana e se esquecem de ir à raiz dos problemas, à raiz da árvore, a humanidade.

Não se trata uma árvore pelo galho, mas pela raiz, embora se possa podá-la positivamente. Esses dois sistemas político-econômico são como que dois irmãos que estão de mal e se tornam inimigos um do outro sem encontrar resposta completa e satisfatória para toda a sociedade. Porém, alguns ou uma elite de pessoas privilegiadas sempre serão beneficiados, uma minoria predominante seja do capitalismo de Estado seja do capitalismo Liberal. Ambos geram miséria e extrema pobreza. “Quem tem olhos para ver…”

O Cristianismo não é um sistema politico e tão pouco a Igreja o é.

Mas, o anúncio do cristianismo, no qual a Igreja é missionária, é justamente a cura da relação humana. A relação humana tem como Fonte, inspiração e força a relação Trinitária! Desta Fonte a relação humana aprende a intercomunicação, a fraternidade entre as pessoas; Desta Fonte Trinitária a pessoa humana não só pode relacionar-se bem com outras pessoas, mas também aprende a relacionar-se com o mundo criado, com toda a natureza entre as coisas com o dinheiro, útil no intercâmbio da vida sustentável dos seres humanos diferentes entre si, mas que se completam na partilha. Na beleza das nossas diferenças toda a sociedade se torna bela e em conquista constante da felicidade que se completará no seu destino final no Encontro definitivo com o Criador que se revelou para nós Como Pai Misericordioso, Filho Misericordioso e Espírito Criador, Santificador Misericordioso que nos conduz na história, na espera do abraço eterno e feliz!

O problema da sociedade brasileira e mundial não tem como causa o mundo econômico, mas as relações humanas que geram injustiças e uma economia injusta pois a sociedade se relaciona egoisticamente, cada um para si ou todos para o Estado com o mínimo de partilha social.

A Fonte de nosso ser exige o mistério da partilha humana, na convivência e harmonia com a natureza em vista do todo e, não somente, em vista de um grupo, do Estado ou de uma elite privilegiada. Deixemos o galho e cuidemos da raiz da árvore!

Dom Luiz Mancilha Vilela,ss.cc.
Arcebispo de Vitória 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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