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O desafio das águas

A crise hídrica pela qual passa o Espírito Santo afeta o estado social e economicamente.  Com o regime de chuvas nos últimos três anos abaixo do ocorrido desde quando se tem dados disponíveis, seus efeitos nocivos têm provocado prejuízos tanto no campo quanto nas cidades.

A curto prazo pouco mais pode ser feito além do estabelecimento de racionamento para o consumo doméstico bem como na captação para a agricultura e para a indústria.  Campanhas de melhor uso de água também podem surtir efeitos mas há que se pensar a questão de forma mais abrangente.

Do ponto de vista histórico, a forma como foi feita a ocupação do solo e como ele continua sendo explorado, em muito contribuem para que alterações no regime de chuvas tenham repercussões ainda mais negativas social e economicamente. A devastação de nossas florestas; a quase total retirada de proteção vegetal de nascentes e cursos d’água; o assoreamento de córregos e rios; a poluição provocada por defensivos e adubos químicos; o uso intensivo de água em processos industriais; e o aumento do consumo doméstico superior ao aumento da população, sinalizam para a necessidade de uma outra forma de debater a economia política das águas no Espírito Santo.

Além de buscar mecanismos de governança que contribuam para uma agenda pró-ativa com relação a mudanças estruturais na forma como nascentes e cursos d’água são usados, é chegado também o momento de se discutir como responsabilizar grandes poluidores.  Nesse sentido, por um lado, casos como o desastre provocado pela Vale/BHP/Samarco precisam ter punição exemplar de todos com ele envolvidos – empresas e poder público.

Por outro lado, há que se desenvolver mecanismos que incentivem em larga escala a proteção de nascentes e a recuperação de mata ciliar. Conhecimentos técnicos e científicos devem ser postos à disposição de produtores rurais; a eles também precisa ser concedido crédito e financiamento em condições compatíveis com os riscos e prazos necessários para a recuperação florestal no estado.

Mais do que ações emergenciais e que duram enquanto a crise se coloca mais grave, a questão das águas no Espírito Santo precisa ser tratada tendo como referência a economia política de suas causas e de suas consequências.  Com mudanças climáticas em nível global clamando por medidas estruturais, em nível estadual há que se buscar mobilização política compatível com o tamanho do desafio que se coloca em função de descasos no passado; e com a importância do precioso líquido para a vida.

Arlindo Vilaschi
Professor de Economia e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Inovação e Desenvolvimento Capixaba da UFES 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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