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O BISPO, O POVO E A IGREJA CATÓLICA

Está bem atual o debate sobre papel e a importância que a figura do bispo possui. Ultimamente temos visto críticas e até mesmo escândalos públicos que envolveram os bispos e que ganharam repercussões mundiais. Daí seria possível levantar uma questão: Será que está em xeque uma das notas mais importantes que caracterizam a Igreja que é a sua apostolicidade?

Os padres da Igreja ensinam sobre a importância dos epíscopos. “Onde está o Bispo, aí está a comunidade, assim como onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja Católica” (Carta aos esmirniotas, 8), escrito na carta de Santo Inácio de Antioquia ao jovem bispo de Esmirna, São Policarpo.

Para os primeiros, cristãos era impossível pensar a comunidade cristã estando ausente a figura dos apóstolos, ou seja, pela sucessão, os bispos. Para elas, os bispos garantiam a unidade e a fidelidade à doutrina, pois eles haviam recebido do próprio Jesus a autoridade e a missão de ir a todo o mundo e fazer discípulos dEle.

Um Igreja sem os bispos seria uma Igreja sem sua cabeça e por isso fortemente exposta a erros e infidelidades doutrinais. A unidade e a comunhão são valores importantes em nossa catolicidade, que não dispensam a nossa diversidade, mas pelo contrário, a vincula. Nesse sentido, o bispo é o sinal visível por excelência da unidade entre o povo de Deus circunscrito em um território, a diocese.

Aos nossos bispos é conferida a missão de governar, ensinar e santificar o povo a ele confiado, devendo garantir que a fidelidade ao Senhor, a pregação do Evangelho, a celebração dos sacramentos e a promoção e defesa da vida sejam garantidos. A nossa tarefa como fiéis é contribuir para a unidade com os nossos bispos e deixarmos ser conduzidos por eles, reconhecendo seu mandato divino para cuidar e apascentar suas ovelhas.

O próprio bispo de Antioquia recomenda aos fiéis que “Nada exista entre vós que possa dividir-vos, vossa união com o bispo e os presbíteros seja uma imagem antecipada e um sinal da vida eterna” (Carta aos magnésios, 6).

As dificuldades e limitações pessoais dos epíscopos não destroem a apostolicidade tão importante para a Igreja Católica. Ainda Santo Inácio nos orienta que “quem respeita o bispo, é respeitado por Deus; quem faz algo às ocultas do bispo serve ao diabo” (Carta aos esmirniotas,9). Sejamos cada vez mais intercessores e cooperadores dos nossos bispos para que juntos, cada um com a sua função na grande orquestra que é a Igreja, garanta a continuidade do anúncio da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ruan Coutinho da Cruz
Seminarista do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Penha

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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