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O amor gera perdão e o perdão fortalece o amor

Como é bom ter a certeza de que Deus é Pai Misericordioso! Neste bendito Ano da Misericórdia o mundo católico está completamente envolvido neste tema muito importante para o nosso ser cristão. O Pai nos ama desde toda a eternidade. Enviou Seu Filho para nos salvar de todo mal, aproximando-se de nós de uma maneira especial:  Fez-se Homem. Com esta proximidade tornou-nos Criaturas novas, filhos de Deus! A maravilha é tão grande que foge à nossa compreensão ao entendimento deste Mistério insondável. Nossa perplexidade aumenta quando observamos esta proximidade de Deus em nossa vida. É tão profunda que ultrapassa qualquer limite de nossa compreensão. Além de se fazer próximo, Deus fundou a Igreja e a instituiu como Sacramento do perdão na história de todos os dias desta humanidade que, embora agraciada, acaba claudicando (caindo) em seus passos humanos, desumanizando os passos que deveriam ser expressão do Divino. A Misericórdia Divina humaniza os passos da humanidade através do perdão. A Igreja é este Sinal e instrumento de Deus que se aproxima de todos os que desejam e precisam da força do perdão.

Este Ano Santo, além do Sacramento da Penitência, a Igreja estimula os fiéis a buscarem a indulgência divina passando pela Porta da Misericórdia.

Esta porta simboliza e significa a Porta que é Jesus para o pecador arrependido, o qual depois de ter confessado seus pecados diante um ministro da reconciliação, o presbítero da Igreja, deseja receber com humildade a reparação de seus pecados. Que maravilha! A passagem pela Porta da Misericórdia é passagem reparadora. Contudo, além do perdão oficial da Igreja ofendida enquanto comunidade à qual o pecador pertence, o pecador perdoado torna-se ministro do perdão em relação ao seu semelhante, sendo coerente com a oração que faz: “perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos”.

Uma vez uma pessoa me perguntou: E daí? Uma vez confessado o pecado, recebido o perdão de Deus e recebida a graça da indulgência plenária, o que resulta depois?

Pouco se fala ou escreve sobre isso. Depois do perdão vem o objetivo do profundo desejo de Deus. É o momento ou o espaço gozoso do encontro interpessoal entre o pecador perdoado e amado com o Amor. O Amor se abre ao encontro com o amado! O Amor é a origem e o destino do amado, o pecador arrependido e perdoado. O resultado é a festa do encontro, o milagre da proximidade de Deus! Contemplemos o encontro do Pai Misericordioso com o Filho arrependido que volta para a Casa Paterna, descrita pelo Evangelista são Lucas no capítulo 15. O Pai não interroga o filho sobre seus erros, não o repreende. Porém, abraça-o, beija-o. Convida os vizinhos para festejar a volta do Filho. O perdão produz festa, alegria, paz.

Ora, esta proximidade, uma vez que faço a experiência da proximidade Divina, torna-se para o perdoado, gozo e missão.

O gozo fortalece-me. O gozo lança-me para fazer o mesmo em relação ao meu semelhante: Aproximar-me, como Jesus, daquele que me ofendeu e abrir-me ao encontro interpessoal, expresso numa palavra amável, educada ou num gesto de amizade. O resultado deste encontro produz a reconciliação e a paz.

A missão de aproximar-me daquela pessoa que errou, transforma-me em arauto da misericórdia e da reconciliação. Este aproximar-se faz daquele que se faz próximo verdadeiro discípulo e missionário da reconciliação. Ele torna-se, naquele momento, um sinal do Cristo que perdoa a quem lhe ofendeu.

O perdão que você concede ao seu semelhante que lhe pede desculpa produz paz, harmonia e alegria. Esta é uma sensação, uma experiência que você vive após o perdão e a reconciliação. Esta é a estrada da Igreja representada por você quando ministra o perdão a quem lhe ofendeu e pelo ministro da Reconciliação, o presbítero, quando perdoa em nome de toda a Igreja e do Pai Misericordioso no Sacramento da Penitência ou Confissão.

A Igreja representada por mim, por você, pelos batizados, precisa dialogar com o mundo distante de Deus. Fazermo-nos próximos do outro é gozo e missão. É colaborar em favor de uma sociedade reconciliada. Este é o objetivo da Igreja em diálogo com o mundo, uma sociedade reconciliada através do encontro, do perdão. Só o Amor constrói!

Portanto, depois do perdão surge a paz dinâmica do Amor, a Festa da Reconciliação.

Diante de um Brasil polarizado no meio ideológico das ideias e interesses quando se vive apregoando e supervalorizando o econômico, esquecendo ou ignorando os valores éticos, o perdão é desconhecido e consequentemente a paz impossibilitada.

Nesta polarização há muita lama. Lama que não suja a roupa, a veste, mas lama que suja a alma e seca a fonte da vida no coração. A Igreja, no diálogo com este mundo, propõe beber da Fonte da Misericórdia através da passagem pela Porta. A Porta da Misericórdia que gera o perdão e a reconciliação. A reconciliação que estabelece a festa, a alegria e a paz.

O Brasil precisa passar por esta Porta para tornar o sonho em realidade: Sociedade Reconciliada, Brasil em paz!

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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