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NOVA CONSCIÊNCIA PARA UM NOVO RIO DOCE

No dia 05 de novembro de 2015, a barragem do Fundão, da mineradora Samarco, rompeu e causou o maior desastre ambiental da história do Brasil, com o despejo de 50 milhões de toneladas de resíduos de mineração no meio ambiente e a contaminação, com lama tóxica, de 500 quilômetros do Rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo. O desastre matou 19 pessoas e destruiu o distrito mineiro de Bento Rodrigues.

Os danos são em várias dimensões, desde o trauma dos afetados diretamente com a tragédia, passando pelos prejuízos financeiros de quem teve danos materiais, desamparo daqueles que dependem do rio para subsistência, além de espécies ameaçadas da fauna e flora, que segundo especialistas levarão décadas para se recuperarem.

A recuperação do Rio Doce não se restringe aos danos do desastre, devemos levar em consideração que são mais de cem anos de uso irracional do rio com assoreamento, despejo de dejetos domésticos e industriais e pesca predatória.

Recuperar o Rio Doce passa por uma mudança cultural e o necessário engajamento da sociedade. Uma das estratégias para isto foi criação da Fundação Renova, que atua em três eixos:

Pessoas e comunidades: atuando na identificação e indenização dos envolvidos, educação, cultura, saúde e bem-estar da população envolvida, proteção das comunidades tradicionais e indígenas, fomento à economia além do engajamento e diálogo

Terra e água: ajudará a definir o uso do solo, gestão hídrica e manejo de rejeito, recuperação da biodiversidade, assistência aos animais e inovação.

Reconstrução e infraestrutura: trata sobre o reassentamento das pessoas, contenção de rejeito, tratamento de água e efluentes e infraestrutura urbana e acessos.

O Desastre de Mariana, como a tragédia ficou conhecida, foi um crime ambiental sem precedentes no Brasil, alguns danos são irreparáveis, mas o legado disto não pode ficar no campo da destruição e sim na recuperação para que tenhamos um rio não melhor do pós-rompimento da barragem, mas sim melhor do que ele estava antes deste lamentável acontecimento.

Vander Silva
Professor e Jornalista

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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