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NOSSO MEL É O REINO DE DEUS

Um trabalho feito com dedicação, responsabilidade, persistência, esforço e doação. O fruto deste trabalho é benefício de todos e garante a manutenção e a sobrevivência de uma grande população. Estamos falando do trabalho das abelhas em uma colmeia, mas podemos compará-lo ao trabalho que envolve o dízimo na Igreja Particular de Vitória e os frutos que dele resultam.

A Campanha do dízimo deste ano traz essa relação e a comparação não poderia ser mais perfeita, pois em uma colmeia cada uma das abelhas executa um importante papel para a sobrevivência desta sociedade, e todas são beneficiadas com esse trabalho.

São aproximadamente 60 mil abelhas em uma única colmeia que esteja em produção de mel, todas elas empenhadas nas atividades que precisam ser realizadas para garantir a manutenção do abelheiro.

“A abelha sozinha não faz muita coisa, ela fica basicamente isolada. Poucas abelhas também não trazem resultados para a colmeia. Mas a partir do momento que elas estão em um grande volume, passam a produzir mais mel e em melhor qualidade, devido a grande capacidade de união desses insetos. Juntas elas se tornam um fenômeno digno de aplausos”, garantiu o apicultor e coordenador do dízimo da Paróquia São José, em Fundão, André Antônio Lopes.

Para o apicultor, os fiéis podem se espelhar na ação das abelhas, pois mesmo sendo um inseto tão pequeno, é capaz de uma imensa força coletiva.

“Elas nos servem de exemplo. No dízimo, assim como em uma colmeia, o trabalho está diretamente relacionado a união. Se todos nós nos unirmos para trabalharmos juntos, assim como as abelhas, as coisas acontecem e possibilitam grandes resultados nas paróquias, comunidades e em toda nossa Arquidiocese. É muito importante que as pessoas compreendam a importância do dízimo e como ele é usado. É também de extrema importância que elas percebam que o esforço de cada um de nós, assim como o esforço de cada abelha na colmeia, faz milagres, transforma vidas, faz a Igreja caminhar, ir mais longe, ao encontro do mais necessitado, colaborando também para que a Palavra de Deus chegue a mais e mais pessoas”, ressaltou André.

Convidada pelo apicultor, a equipe da Revista Vitória foi até um apiário para conhecer de perto o trabalho das abelhas e a produção do mel. A vestimenta apropriada (macacão de nylon e chapéu de apicultor) e o uso do fumegador, cuja fumaça serve para afastar um pouco as abelhas, nos ajudaram a chegar bem próximo das colmeias.

Paramentados de forma adequada, seguimos a pé para dentro da mata, e em um local sombreado avistamos cinco caixas de madeira (colmeias).

Após jogar bastante fumaça na direção da primeira caixa, André retirou a tampa e foi possível vislumbrar a perfeição do trabalho que elas executam. Os quadros, dispostos lado a lado, estavam repletos de mel, armazenado em pequenos alvéolos e cobertos com uma fina camada de cera, para que o mel não derrame.

“Aqui na Grande Vitória, a produção de mel depende da florada do café Conilon, que acontece em meados de julho e agosto, e da florada do Eucalipto e de uma planta chamada Camará, que acontece nos meses de janeiro, fevereiro e março. Nesses dois períodos do ano, início e meio, é quando a produção de mel aumenta e é possível fazer a colheita”, explicou André.

Após a colheita, que acontece quando os quadros de mel são retirados das colmeias, eles são levados para a sala de manejo, onde o mel será retirado e envasado com o auxilio de um maquinário em aço inox especial. Esse processo começa com a raspagem da fina camada de cera que cobre os alvéolos.

Para a raspagem é utilizado um garfo especial e, em seguida, os quadros são colocados em uma centrífuga.

O movimento de rotação da máquina faz com que o mel fique depositado no fundo do equipamento e depois passe por um período de repouso, a decantação.

“Depois da decantação, o mel pode ser envasado e vendido, e para nós que também somos agricultores, ele significa uma renda que nos salva em épocas de baixa produção na lavoura”, comentou.

O trabalho de André com as abelhas começou há 13 anos, quando depois de tomar algumas carreiras de um enxame localizado em sua plantação de café, ele se interessou por um curso de apicultura básica.

“Apaixonei-me por elas e pelo trabalho que elas realizam e passei a ser chamado para retirar enxame em diversas propriedades das redondezas. Depois de retirá-las, dentro de algumas normas de segurança e com os aparatos necessários, levo o enxame para outro lugar. Lá inicio um processo de melhoramento dessas abelhas, colocando cera e fornecendo uma alimentação específica (açúcar VHP), apropriada para desenvolver e acelerar o processo de crescimento do enxame. Desta forma consigo fazer com que esse enxame cresça para que quando chegar a época da florada, ele tenha o tamanho ideal para simplesmente estocar o mel, possibilitando que a gente colha o excedente da produção”, contou.

O apicultor explicou que dentro da colmeia, as abelhas desempenham várias tarefas como a manutenção da temperatura, cuidado com os ovos, nutrição da rainha e das abelhas, estocagem do mel, limpeza, vigilância e defesa da colmeia. Dentro de suas atividades também está a responsabilidade pela postura da abelha rainha.

“Em torno dos 20 dias de vida da abelha, ela fará o papel de vigilância, a defesa da colmeia. Nesse período ela faz de tudo pela colmeia, até dar a própria vida. Após esse período, ela parte para o campo e vai coletar néctar, pólen e resina para a produção da própolis. São muitas funções e cada abelha, de acordo com sua etapa de vida, executa uma dessas funções. Todas trabalhando juntas para manterem o sucesso da colmeia”, explicou.

André afirma que a união da força de trabalho na Arquidiocese de Vitória também é garantia de sucesso nos resultados que o dízimo pode proporcionar para todos.

A chefe do Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Vitória, Maria da Luz Fernandes, explica que a Arquidiocese tem como forma de manutenção, a colaboração dos fiéis através do dízimo, e por isso, a cada ano se faz uma campanha de sensibilização e motivação durante o mês de julho.

A campanha é preparada com as sugestões dos coordenadores das equipes de dízimo das paróquias que indicam qual deve ser o foco naquele ano. Depois o Departamento de Comunicação elabora a proposta junto com a empresa que presta serviço de criação (Impressa) e a apresenta na Assembleia do dízimo.

“Para este ano a sugestão era de falar de comprometimento, responsabilidade e surgiu a ideia de comparar o trabalho do dízimo com o trabalho das abelhas, acentuando o papel de cada um (função) que fica muito claro na colmeia, o empenho de todas as abelhas e também o resultado que é a fabricação do mel.

O Reino de Deus que a gente anuncia é um Reino de paz, amor, fraternidade, alegria. Anunciar o Reino de Deus é anunciar o bem, e o dízimo é fundamental para que a Igreja possa anunciar, celebrar e viver a fraternidade e a comunhão”, contou.

Na campanha deste ano, foi trabalhado um diálogo entre o Alegrito (mascote do dízimo) e uma abelha. A conversa entre os dois rendeu um roteiro teatral e um filme animado nos quais Alegrito mostra como a participação de cada cristão é importante para a fabricação do “mel” na Igreja. Ele conta que para os cristãos, o mel é o Reino de Deus, um lugar de alegria, solidariedade que se constrói através do compromisso verdadeiro de cada um.

“A arte é capaz de sensibilizar as pessoas, pois desperta a emoção e com emoção tudo fica mais prazeroso. Além disso, a arte apresentada através da música, da dança, do teatro, do cinema e de outras diversas formas, tem uma capacidade de comunicação universal”, afirma a produtora e assessora educacional Jeanine Pacheco, responsável pela criação do vídeo e do roteiro teatral da Campanha do Dízimo.

Ela conta como foi interessante visitar todos os setores da Igreja de Vitória e conhecer também as comunidades carentes, o Seminário Nossa Senhora da Penha, o Propedêutico e todos os lugares em que o dízimo é aplicado.

“Quem assistir ao vídeo e a peça teatral terá total dimensão de como esse dinheiro é usado, e isso é muito importante para que o dízimo continue rendendo tantos frutos e promovendo o Reino de Deus na Arquidiocese”, afirmou.

A partir do lançamento da Campanha, em cada domingo, as equipes têm motivações e materiais diferentes para falar com criatividade sobre a importância do dízimo, envolvendo todas as equipes de serviço, pastorais e movimento.

Motivação foi o que não faltou para o músico e coordenador do Conselho Administrativo Paroquial na Paróquia São Pedro Apóstolo, Gustavo de Oliveira Gervásio. Pelo segundo ano consecutivo ele fez a música para a Campanha.

“A inspiração vem do Espírito Santo de Deus e da consciência que eu tenho sobre a importância do dízimo. Este ano, durante o encontro de formação, eu fiquei tão entusiasmado com a proposta da Campanha que fiz a letra da música lá mesmo. Fico muito feliz em colaborar na construção do Reino de Deus”, afirmou.

Andressa Mian
Jornalista

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Canção do Dízimo 2019
Meu compromisso, nossa alegria

Autor: Gustavo de Oliveira (Paróquia São Pedro Apóstolo)

Meu compromisso,
Nossa alegria
Ser dizimista é
Dom que contagia!

Sejamos cristãos solidários,
Que com fé ao céu almejam!
Devolvendo o pouco que temos
E contribuindo com o crescer da Igreja!

Com amor e sabedoria
Força e discernimento
Exercitando o meu coração
Na fraterna comunhão a todo tempo

Missão dada é missão cumprida
Busque o reino, não deixe pra depois
O dizimo é lição para a vida
Um mais um sempre será mais que dois

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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