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MÃE CONTEMPORÂNEA E MÃE NOS VELHOS TEMPOS

Se na contemporaneidade nós mulheres enfrentamos desafios por conta das mudanças, inclusive quanto à maternidade, como era ser mulher/mãe nos velhos tempos?

Antes de engravidarmos somos unicamente mulheres, pessoas valiosas, com todo o potencial de amor que nos foi concedido por Deus e cheias de dons e habilidades para construir também uma carreira profissional. Mas ser mulher, esposa, amiga, excelente profissional nos basta? A minha longa experiência clínica em psicoterapia, aponta que não. Atendi muitas mulheres e pude perceber que, mesmo realizadas profissionalmente, se não tivessem tido a experiência da maternidade, seja por qualquer razão, sentiam que ainda lhes faltava algo.

Com base nessa experiência clínica entre outras, trago em forma de diálogo, conteúdos colhidos nessa experiência, buscando responder: Mãe contemporânea e mãe dos velhos tempos, o que uma pode aprender com a outra?

Vou nomear as personagens de Maria 1 = mãe nos velhos tempos (idade acima de 50 anos) e Maria 2 = mãe contemporânea (pós-modernidade).

Maria 2: Como era, no seu tempo, ser mulher e principalmente ser mãe?

Maria 1: Era mais fácil criar filhos na minha época!

Maria 2: Mais fácil?

Maria 1: Sim, seguíamos mais a natureza humana/instinto, a intuição. Não tínhamos a quem perguntar, onde nos informar sobre como as coisas se davam, nós aprendíamos observando nossas mães, avós, tias, ou cuidando dos irmãos. Os filhos, à medida que cresciam, iam ganhando independência, logo aprendiam a comer, e se vestirem sozinhos; dávamos a eles pequenas tarefas para nos ajudarem nos afazeres quando já alcançavam certa idade e assim iam aprendendo a ter responsabilidade. Quando lhes era permitido brincar, criavam suas próprias brincadeiras. As regras eram simples: alimentar, cuidar e proteger. Esse era nosso jeito de amar.

Maria 2: Entendi. Você quis dizer que era mais simples! Hoje somos cercadas de regras: não pode isso, não pode aquilo, cuidado para não traumatizar! Existem até cursos para aprendermos a ser mães! Temos muitas informações que às vezes nos confundem!

Maria 1: Nossa! Isso nós não tínhamos. As vivências se encarregavam de nos ensinar, nós agíamos por instinto ou intuição, com um ou outro conselho da parteira, tia, ou de nossas mães.

Maria 2: Mas como vocês faziam quando não sabiam o que fazer? A quem recorriam? Hoje, recorremos aos médicos pediatras, à internet e as vezes também aos livros.

Maria 1: Nós confiávamos muito em Deus! Recorríamos às orações, nós buscávamos na fé. Penso que isso nos tornava mulheres/mães mais fortes, pois dávamos conta dos afazeres da casa, dos filhos, marido, da criação…

Acho que hoje vocês têm mais tempo para estar com seus filhos, possuem muitas modernidades que facilitam suas tarefas domésticas. As nossas eram mais pesadas e não tínhamos tempo para brincar com nossos filhos. Apenas dar ordens. Éramos muito exigentes quanto à obediência. No fim do dia estávamos muito cansadas.

Os carinhos só eram possíveis de acontecer quando dávamos banho ou trocávamos as roupas deles ainda pequenos, pois tão logo começassem a andar, a maneira de demonstrar amor era por meio de olhares, as vezes um gesto de passar a mão na cabeça, segurar nas mãos para caminhar rumo à igreja ou à escola, ou um sorriso cheio de amor.

Maria 2: Embora tenhamos essas modernidades, nossa jornada de trabalho se estende para fora de casa, por necessidade ou por escolha, e com isso terceirizamos os cuidados de nossos filhos a outras mulheres, a escola… Perdemos momentos preciosos de estar com nossos filhos.

Carregamos tanta culpa por passar muito tempo longe de casa que ao chegar buscamos compensar, fazendo todas as vontades de nossos filhos, pois temos medo de perder o seu amor. E ao fazermos isso, eles ficam cheios de vontades, se tornam desobedientes e às vezes se transformam em pequenos tiranos. Também chegamos ao fim do dia muito cansadas.

O que você levaria do que temos hoje para sua época? O que te ajudaria?

Maria 1: O conhecimento e a assistência médica. Nós sofríamos muitas perdas de filhos e muitas mulheres morriam no parto por desconhecimento e falta de assistência adequada. Embora as crianças adoecessem menos, quando acontecia de caírem doentes tínhamos que recorrer às orações, benzedeiras e chás que não resolviam quando era algo mais grave. Tudo o que mais desejávamos era a saúde e a felicidade de nossos filhos!

E você, o que traria do meu tempo para hoje, que também te ajudaria?

Maria 2: Traria de volta a simplicidade, os limites e a força da fé, pois o que mais nós também desejamos, é que nossos filhos tenham saúde e sejam felizes!

Concluindo, podemos perceber que: mãe ontem, hoje e sempre, com mais ou menos recursos e atividades, deseja mesmo é estar com seus filhos, acompanhar o crescimento deles, demonstrar o amor cuidando, alimentando, protegendo, abraçando, beijando, colocando no colo ou simplesmente lhes sorrindo. O que as mães mais desejam é ver a felicidade de seus filhos!

Maternidade é um chamado Divino a viver o amor na sua plenitude e para exercê-la é preciso ser mulher, ser mãe!

Ser mulher é ser canal do amor de Deus no mundo, então amar já nos realiza. Mas assim como Nossa Senhora nos trouxe o amor maior que é Cristo, todas nós mulheres também recebemos o dom da maternidade, a capacidade de nos tornarmos mães de “fagulhas do amor de Deus” que são os nossos filhos, para que experimentemos um amor do tamanho do coração Dele e sejamos mulheres plenas! MÃES! Ser mulher já é um privilégio, ser mãe é uma honra!

Suy Ferreira Nunes Bortolon
Psicóloga clínica

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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