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LITURGIA: VIVÊNCIA DA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO

Às portas da conclusão do ano litúrgico, o qual é forma pedagógica de vivência do Mistério uno e indivisível de Cristo, na continuidade ininterrupta do Ano da Graça do Senhor (cf. Lc 4,16-19), é propício considerar a prática litúrgica como momento consciente, distinto e legítimo de viver a história da salvação.

As Escrituras relatam a consciência e a fé das gerações do povo de Deus que experimenta a sua ação salvífica na história, e a compreende como história de salvação, desde a primeira até a segunda criação em Cristo. A Oração Eucarística IV (cf. Missal Romano) expressa, em tom de ação de graças, todas as etapas dessa história.

O mundo bíblico apresenta marcantes relatos de ações litúrgicas em momentos decisivos da história de salvação, sinalizando pelas formas rituais as ações de Deus em favor de seu povo. Particularmente, em grau maior, estão as liturgias pascais do primeiro e do segundo testamentos (Ex 12-13.15 ; 1Cor 11,23-26 ; Mt 26,17-29; Mc 14,12-25 ; Lc 22,7-20) como referenciais por excelência da fé do povo de Deus.

Diz a Sacrosanctum Concilium, carta magna da liturgia do Concílio Vaticano II: “Esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, que tem o seu prelúdio nas maravilhas divinas operadas no povo do Antigo Testamento, completou-a o Cristo Senhor, especialmente pelo mistério pascal de sua sagrada paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão” (SC 5).

A perene recordação do caminho bíblico, de acordo com as leituras proclamadas nas assembleias litúrgicas (liturgia da Palavra), é vivência continuada da história da salvação e aplicação da mesma nas atuais circunstâncias da existência: as passagens proclamadas têm força memorial, de atualização, iluminando os fatos da vida das comunidades celebrantes, potencializando-os pela força do Espírito e tornando-os ações eficazes de salvação.

Em todas as ações litúrgicas, a presença de Cristo é manifestação na Palavra proclamada e nas ações rituais, a começar da comunidade reunida na intenção de celebrar em nome do Senhor (cf. SC 7). A obra da salvação é continuada pela Igreja e realiza-se na liturgia (cf. SC 6).
A liturgia não é a única atividade da Igreja (SC 9), mas é a partir do mistério celebrado que a mesma encontra legitimidade e inspiração para propagar, no caminho da evangelização, a mensagem de vida e salvação, exortando, em tom de conversão, à vivência da fé, esperança e caridade.

Que as comunidades cristãs atinjam mais e mais a consciência e a boa vontade de serem os instrumentos da graça e salvação para todos, a favor do Reino e da vida plena! A salvação continua fazendo história e pede passagem…

 Fr. José Moacyr Cadenassi
Frade Franciscano Capuchinho, Letrista, Cantor, Assessor de liturgia, Apresentador de rádio e Agente de ecumenismo e diálogo inter-religioso

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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