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Liturgia e promoção humana

O Concílio Vaticano II intensificou a prática evangelizadora da Igreja, abrindo espaços para uma maior consciência e integração de fé e vida, diante de um contexto eclesial e dos inúmeros desafios e adversidades presentes na história, tendo em vista a fé como promoção humana.

As Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em específico, são respostas comprometedoras no caminho da evangelização, mediante o espírito conciliar: Rio de Janeiro – a primeira, em 1955 (em 1956 foi fundado o Conselho do Episcopado Latino-Americano – CELAM); Medellín, em 1968; Puebla, em 1979; Santo Domingo, em 1992 e Aparecida, em 2007).

A liturgia, “como o ápice e a fonte de toda a vida da Igreja” (SC 10), é o princípio da evangelização, enquanto expressa o mistério da fé e envia a Igreja celebrante, na pessoa dos batizados, a fazer o mesmo que Jesus fez, despertando nas inúmeras e diversas realidades o seu potencial ressuscitador, através das boas obras, no serviço solidário.

A liturgia é a mestra e educadora para o discernimento e a prática dos valores humanos nas etapas da história, fomentando a maturação e o progresso contínuos dos seguidores de Cristo para o distinto serviço. Ela é o referencial ético para que as comunidades cristãs vivam no mundo a caridade, à semelhança de Cristo que passou fazendo o bem e “…se mostrou cheia de misericórdia pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados.” (Oração Eucarística VI-D).

A Palavra proclamada com ênfase e determinação nas assembleias litúrgicas confronta e ilumina as diversas realidades humanas, inspirando o pensar e fortalecendo o agir dos que celebram e trabalham pela unidade da vida. A ação de graças na liturgia eucarística é o reconhecimento e o elogio da Igreja pelos feitos vivificadores de Deus, por meio de Cristo, e a favor das criaturas. A Palavra e a Eucaristia, na perspectiva da fé, são vitais para a promoção humana.

A Igreja, por carisma e missão, se mostra como “estandarte erguido diante das nações, sob o qual os filhos dispersos de Deus possam reunir-se na unidade, para que haja um só rebanho e um só pastor” (SC 2). Esta visibilidade é mantida pela vida litúrgica e propagada pelo testemunho fraterno: fé e vida são inseparáveis. A genuína natureza eclesial “tem a característica de ser ao mesmo tempo humana e divina, visível, mas dotada de realidades invisíveis, operosa na ação e devotada à contemplação, presente no mundo e contudo peregrina; de tal modo que nela o humano é orientado e subordinado ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, a realidade presente à futura cidade para a qual estamos encaminhados” (SC 2).

A liturgia é o centro e o ápice da vida cristã. Nela, Deus continuamente se manifesta pela mediação e intercessão de Cristo, revelando-se o verdadeiro amigo e benfeitor da humanidade, e esta possui a indelével identidade de ser imagem e semelhança de Deus, o Criador que a fez em estado original de vida plena.

Fr. José Moacyr Cadenassi
Franciscano capuchinho, letrista, cantor, consultor de liturgia, apresentador de rádio e agente de ecumenismo e diálogo inter-religioso

 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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