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Liderança Religiosa: propriedades e aspectos fundamentais

Definir ou conceituar o termo liderança tornou-se, nas últimas décadas, uma tarefa complexa, que nos remete às centenas de autores de diferentes períodos do desenvolvimento humano e sua história. Dos traços naturais do indivíduo aos cargos de liderança; dos tipos como o autocrata, o democrata e o liberal aos que aprendem a liderar através do exercício de suas funções; dos que influenciam ambientes aos que são influenciados e moldados por ele.

Vou me ater aos elementos que parecem comuns na maioria das definições: líder é aquele (a) que consegue articular e unir competências de cada membro de um grupo na conquista de resultados. Seus métodos e suas habilidades; suas estratégias e seu modo de desenvolver tarefas e relacionamentos o definirão como bem ou mal sucedido.

Tratar sobre a liderança em ambiente religioso me dá a sensação de estar na origem dos estudos sobre o assunto, visto que, é neste ambiente que encontramos todos os referenciais e modelos. Com o líder religioso as exigências ganham dimensões que transcendem os valores dos resultados. Diferente de uma organização privada, no ambiente religioso os objetivos transcendem os bens materiais e alcançam a dimensão sobrenatural: a salvação. O líder religioso acolhe, cuida, propõe, ensina, potencializa e envia os membros de sua comunidade para que juntos conquistem metas que os conduzam ao objetivo maior que é a salvação. Tarefa de nobreza extraordinária que tem como referência e modelo ninguém menos que Jesus.

Vejamos algumas atitudes de Jesus que fazem dele o maior de todos os líderes: tinha um plano definido (Isaias 50,7); era proativo e estava em constante alerta – Parábola do Azeite (Mt 25,1ss); escolhia pessoalmente seus colaboradores e os treinava (Mt  2,13); tratava as pessoas em sua realidade e singularidade(Mt 28, 20); estabelecia, com harmonia, sua autoridade (Lc 22,42); desenvolvia tarefas ao mesmo tempo em que desenvolvia relações (Jo 3,30) …

Poderíamos passar dias escrevendo sobre tais habilidades e práticas aplicadas por Jesus em sua liderança. Contudo, ater-me-ei a três aspectos próprios dele, que não podem estar ausentes na liderança religiosa: profetismo; eclesialidade e ação pastoral. O primeiro é aquele que permite ao líder ir ao encontro das pessoas, caminhar com o povo, querer com ele viver suas alegrias e esperanças, angústias e tristezas. O profeta lê os sinais dos tempos e os projeta na urgência e realidade do povo. O segundo aspecto, a eclesialidade, faz com que o líder forme discípulos e novas lideranças. Através de uma gestão participativa insere as pessoas, na e pela missão. Promove o encontro das pessoas com Jesus. E, por fim, a ação pastoral, que permite ao líder assumir a fisionomia do Bom Pastor. De modo organizado acolhe, orienta, propõe, forma e envia, como missionário a implantar o Reino de Deus na sociedade.

Parece-me fundamental, ainda, que todos os líderes religiosos – do clero ou do laicato, a exemplo de Pedro – possam responder à pergunta do Mestre: tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas. Só este amor é capaz de responder aos anseios e exigências dessa liderança e de seu mais nobre objetivo.

Aristides Luis Madureira
Missionário leigo com formação em Comunicação e graduado em Processos Gerenciais 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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