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JUBILEU: sinal de vida e transfiguração!

Na perspectiva do Livro do Levítico (Lv 25,8ss), celebrar o jubileu é rever e experimentar a originalidade da existência conforme o plano do Criador: vida de plenitude e liberdade para todos – princípio, sentido e essência. É o reconhecimento de que as desigualdades não provêm de Deus; é a denúncia do egoísmo como princípio do poder dominador e escravagista; é o compromisso da solidariedade pela vida de todos!

Jubileu era considerado um ano de resgate, na vivência de algumas práticas: descanso dos trabalhadores, repouso da terra, liberdade aos escravos, atos de regularização e negociação de propriedades, nulidade das dívidas. Enfim, a tônica era superar o monopólio nas mãos de uns poucos e suas consequentes opressões, pois a terra de Israel era a herança para todos os que constituíam o povo de Deus: eis um tema forte de denúncia profética (cf. Is 5,8-10).

Na Igreja, o sentido de jubileu tem sido aplicado a momentos significativos e variados da vida cristã, marcando ciclos e novas etapas: pelos anos de matrimônio, vida religiosa, diaconato, presbiterato e episcopado; pelos anos de consagração de um templo ou da existência de uma paróquia ou (arqui)diocese; pelos anos jubilares proclamados pelos sumos pontífices para todos os católicos ou aqueles concedidos para as igrejas particulares em determinada circunstância. Parece que falta, em consciência e prática, algo a ser considerado motivo também de jubileu, tão importante e decisivo para um cristão: o seu batismo!

Num jubileu, dentre todas as possíveis vivências pastorais e diversas atividades, tem aspecto central a liturgia, celebrada de muitas formas: a eucaristia, que sempre abre e conclui um ano jubilar de forma solene; as celebrações penitenciais, como momentos fortes de revisão de vida, confronto com a Palavra de Deus e gestos de reconciliação, incluindo a dimensão sacramental da penitência; celebração do ofício divino/liturgia das horas; momentos de culto eucarístico fora da missa (diante das reservas eucarísticas); celebrações específicas com categorias de fiéis: crianças, catequizandos em geral, famílias, juventude, idosos, enfermos, profissionais de diversas áreas etc.; preces e devocionais conforme a religiosidade popular e com referências bíblicas; romarias e procissões; promoção de momentos orantes com a Palavra através dos meios de comunicação.

Enfim, são diversas as possibilidades de celebrar liturgicamente um jubileu, com o objetivo de ressignificar e ampliar a dádiva da vida cristã, em sensibilização e atitudes de mais identificação com o Evangelho e a vida eclesial, na perspectiva de além fronteiras. Celebrar um jubileu é deixar-se transfigurar pelo mistério pascal de Cristo – centro de toda a fé testemunho dos batizados!

Fr. José Moacyr Cadenassi
OFMCap

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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