buscar
por

Jovens: entre ficar ou sair do ninho?

A juventude possui uma base material relacionada à idade, que perpassa um tempo e um modo particular de vivenciar e (re) produzir a realidade. A condição etária não está relacionada unicamente aos aspectos biológicos, refere-se também aos fenômenos culturais e históricos vivenciados nesse período, trata-se, sobretudo, do momento peculiar de socialização entre sujeitos, o que também configura o caráter de uma geração.

A história evidencia que na Idade Moderna o universo da criança mesclava-se com o do adulto e a inserção em um ou outro grupo era definida pela capacidade física desses assumirem tarefas e responsabilidades, não havendo, portanto, uma evidente distinção da juventude como momento particular nesse interim. Foi a partir da Revolução Industrial e da consequente exigência por formação para o trabalho que emerge e sugere-se uma vida própria juvenil, distinta dos adultos e das crianças.

Nas últimas décadas, entende-se que a transição para a vida adulta já não é mais marcada pela linearidade do modelo tradicional que prevê escolarizar-se, entrar no mercado de trabalho, sair da casa dos pais, casar-se e ter filhos, numa sequência de fatos. Hoje as etapas desse processo ocorrem com idades mais ou menos avançadas, a depender, principalmente, da sua classe social, do gênero ou etnia.

Tal alteração evidencia-se a partir dos anos 90, dada bruscas modificações ocorridas no mundo do trabalho diante do agravamento dos contextos econômicos e sociais, incidindo largamente sobre o desemprego e a competitividade do trabalho, aspectos que atingem especialmente os jovens. Com isso, há uma tendência mundial de ampliação do tempo de juventude, inclusive da sua faixa etária devido às dificuldades de ascensão social dos jovens neste cenário. No Brasil, por exemplo, são considerados jovens os sujeitos entre 15 e 29 anos.

Contudo, os jovens pertencentes aos setores populares tendem a ter que ingressar mais cedo no mundo do trabalho, ocupando assim os espaços mais precarizados, o que, muitas vezes, os impossibilita de darem continuidade aos estudos e realizarem atividades de lazer. Esses jovens assumem responsabilidades ‘típicas da vida adulta’ mais cedo que os jovens dos setores médios e altos, pois carecem de tempo e recursos para realizá-los.

Nesse sentido, problematiza-se: Com essas transformações, tornam-se adultos aqueles que não saem de casa? Para se tornar adulto não deveria ser necessária apenas a passagem por determinadas etapas de vida, mas, sobretudo, a identificação do jovem como um adulto, afinal, ambas as condições são construções sociais com significados atribuídos nos diferentes contextos.

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

Mais posts do autor

COMENTÁRIOS