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Igreja não é empresa

Quando um funcionário começa a causar problemas para a empresa, ele é despedido. Alguns membros da Igreja, quando se deparam com pessoas da comunidade eclesial que criam problemas, querem aplicar o mesmo remédio ou punição que as empresas realizam, isto é, mandar embora a pessoa que atrapalha o grupo.

Alguns vêem os coordenadores, padres e bispos como “diretores da empresa” e diante deles desfiam uma ladainha de defeitos e problemas que alguns irmãos causam na comunidade eclesial e, no final, o que eles desejam pedir é: expulsem essas pessoas da comunidade, pois elas atrapalham.

A nossa resposta é com uma pergunta: “na sua família, quando alguém dá algum problema, vocês o expulsam de casa e o jogam no meio da rua?”. Claro que não!

A Igreja não é uma empresa. A Igreja é uma família: é a família de Deus. Também na comunidade eclesial devemos amar os irmãos problemáticos com muita paciência, perdão, tolerância, misericórdia e, obviamente, com firmeza para pôr limites em determinadas situações.

As pessoas problemáticas também fazem parte da família de Deus. Elas não devem ser expulsas, mas, por outro lado, elas não podem dominar e estragar uma comunidade inteira. O amor cristão, em algumas situações, implica em ser firme e colocar limites às pessoas problemáticas. Acontece, infelizmente, que alguns fiéis não querem assumir compromissos nas comunidades eclesiais e empurram os trabalhos para pessoas problemáticas que possuem o triste dom da liderança ruim. E a confusão está armada! Quem é o culpado pelo conflito: a comunidade omissa que permitiu a atuação da liderança ruim ou a pessoa problemática que assumiu uma responsabilidade que ela não tem condições de executar? Ambas são culpadas.

Na casa do Pai do filho pródigo havia lugar para ambos os filhos. Tanto o filho problemático como o filho mais velho “bonzinho” possuíam um lugar no coração do Pai. Afinal, quem precisa do médico é o irmão doente, não o sadio, assim nos ensinou o Mestre (Lc 5, 31).

Dom Rubens Sevilha
Bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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