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HOMILIA NA MISSA DE QUINTA-FEIRA SANTA

Na homilia da missa de Quinta-feira Santa, também conhecida como missa do crisma, dia da renovação das promessas sacerdotais, Dom Dario dirigiu-se aos sacerdotes da Arquidiocese e acentuou quatro pontos que estão sugeridos nas leituras bíblicas próprias deste dia.

1. Meus irmãos presbíteros, ao ouvirmos o Salmo Responsorial, entoado hoje, podemos escutar o coração do salmista, o seu sincero desejo e compromisso diante do Senhor, que atravessou os séculos e chegou até nós, hoje reunidos aqui na Catedral da Arquidiocese de Vitória. Com ele, somos convidados a entoar alegremente, o mesmo refrão: “Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor”. São palavras sinceras que ecoam como um hino de louvor, que somente poderia nascer no coração de alguém que fez uma experiência com o Senhor.

O Senhor faz ao salmista uma promessa, a de que a sua mão e o seu braço santo o acompanhariam para sempre, fortalecendo-o e amparando-o ao longo de toda a sua vida. Do mesmo modo, o Senhor afirma que seu amor seria o espaço de formação, no qual o seu servo seria formado para a missão e o testemunho. Sendo assim, meus irmãos presbíteros, depositemos na promessa do Senhor a nossa vida, a nossa vocação, o nosso ministério e a nossa missão, a fim de que, confirmados em seu amor e cuidado, mais uma vez, renovemos as promessas que abraçamos, pois elas são uma resposta clara à vocação que recebemos.

2. Nas palavras do profeta Isaías, é possível reconhecer a sua memória agradecida e cheia de confiança, de maneira especial, no momento em que os filhos de Israel retornam para a sua terra, depois dos anos passados no exílio. As suas palavras manifestam que o seu coração é marcado pelo compromisso, seja pela força da unção que recebera, seja por conhecer as dores do povo machucado pelo caminho, na reconstrução de sua história. Por isso, as suas palavras são vigorosas e firmes, ao apontar para a manifestação do Senhor, que conduz Israel em todos os seus passos.

A voz do profeta traz consolo e esperança para aqueles que precisavam ser fortalecidos em meio ao sofrimento, à dor e à fraqueza, situação que queria roubar-lhes a fé. Que nesta Celebração, na qual renovamos as promessas de nossa Ordenação, nos sintamos, mais uma vez, confirmados pelo chamado e enviados pelo Senhor para a missão que Ele mesmo nos confiou e espera de nós. Pois o Senhor deseja que sejamos portadores da esperança, sinais da graça e uma voz que clama por justiça e defende a vida. Principalmente dos que estão em situação de exclusão, dos indefesos e pobres, junto aos que mais precisam de conforto, de solidariedade e de compaixão. Que a nossa voz se faça ouvir e que a nossa vida seja o maior testemunho que podemos dar, a fim de que nós sejamos verdadeiros profetas hoje, marcados com o selo da verdade e da misericórdia, onde quer que o Senhor nos envie.

3. Ser ungido pelo óleo significa a consagração de um ser a Deus, em vista da realeza do sacerdócio ou de uma missão profética que Deus nos confia. O ungido por excelência é o Messias, o Cristo, que é o Rei, o Sumo Sacerdote e o Profeta, símbolo da alegria e da beleza, sinal de consagração, o óleo também alivia as dores e fortalece os cristãos, tornando-os mais ágeis e menos vulneráveis. Quais são os óleos usados na liturgia? Evidenciam-se três óleos: dos Enfermos, dos Catecúmenos e do Santo Crisma.

Que por estes Santos Óleos, a nossa Igreja Particular de Vitória, seja portadora da graça de Deus a todos os que buscarem nela o conforto para suas vidas. Quer seja no início de suas vidas, pelo sacramento do batismo, quer seja em sua juventude, pelo sacramento da crisma, quer seja para consagração de novos sacerdotes para o serviço do povo de Deus, no Sacramento da Ordem, quer seja para dar força nos momentos em que as pessoas experimentam sua fragilidade, no sacramento da Unção dos Enfermos. Que nossa Arquidiocese possa manifestar a ternura de Deus em todos os momentos da vida do nosso povo.

4. Jesus lê na sinagoga de Cafarnaum um trecho do Livro do Profeta Isaías. Todos nos aproximamos do Senhor marcados por nossas contradições e fraquezas, mas também, impulsionados por nosso sincero desejo de fazer de nossa vida um sinal da presença de Deus junto aos que mais precisam. Por isso, é justamente no diálogo entre os nossos limites, as necessidades da Igreja e de nosso povo sofrido e a confiança na graça de Deus é que nos apresentamos hoje aqui.

A nossa missão tem como fonte a nossa união íntima com Cristo, Bom Pastor, aos pés do qual fomos formados e do qual recebemos a unção no dia de nossa ordenação sacerdotal. Diante de nós se encontram os apelos de tantos irmãos e irmãs nossos, de suas vozes que clamam por justiça e esperam a manifestação de novos céus e nova terra, da nossa Casa Comum, onde todos têm lugar. Desse modo, assim como Jesus, que foi enviado pelo Pai a confrontar os sofredores, a levantar os que estavam caídos, a perdoar os pecados e a defender a vida plena para todos, também nós o somos. Ungidos pelo Espírito Santo, somos chamados a nos colocar ao lado dos que mais precisam, a fim de nos tornarmos presença de Cristo em todos os lugares onde estivermos.

A Igreja é chamada a ser sinal de Cristo na história dos homens e desafiada a manter-se fiel aos valores do Evangelho e à sua missão. Nossa Igreja Arquidiocesana é marcada por uma história de grande fecundidade e nela reconhecemos muitas forças vivas que são frutos da graça de Deus, valores que estão espalhados em nossas Comunidades Eclesiais de Base. Reconhecemos os grandes desafios e urgências que temos diante de nós, de maneira especial no diálogo com a sociedade em vista da construção do Bem Comum, como uma verdadeira Igreja em saída. Por isso, somos chamados a nos unir aos diversos setores da sociedade, aos homens e mulheres de boa vontade, no combate das diversas situações que ainda tentam roubar a vida e a dignidade dos pequenos e pobres.

Caros irmãos, hoje, no dia em que renovamos nossas promessas sacerdotais, confirmemos o nosso sincero desejo de união íntima com Cristo, Bom Pastor, a fim de que sejamos fortalecidos e acompanhados, em todos os nossos passos, por Aquele que nos chamou a segui-lo, como verdadeiros profetas e anunciadores do Reino.

Dom Dario Campos, ofm
Arcebispo Metropolitano de Vitória

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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