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Enquanto espero

Esta eu ouvi na sala de espera de um médico.

- Não agüento mais esta demora, parece que eles marcam todo mundo no mesmo horário e a gente fica aqui esperando com cara de bobo, diz uma senhora sentada no outro lado da sala.

Eu concordo em pensamento, mas não digo nada.

- Toda vez é a mesma coisa, este povo acha que a gente não tem mais nada para fazer, responde outra senhora sentada ao meu lado.

Ambas olham para mim, mas não faço contato visual, finjo que meu pensamento está distante. Realmente gostaria que estivesse, mas estou sentado ouvindo as reclamações, justas, das duas senhoras.

Deixe-me explicar. Acho horrível, como qualquer pessoa normal, ficar em fila de banco enorme, ou sala de espera de médico atrasado, mas acho pior quando começam a reclamar. Sei que é direito, mas acaba me cansando mais e isto não vai fazer a fila andar mais rápido. Ou vai? Não sei. Reclamando me sinto aquela pessoa que aperta o botão do elevador mais de uma vez. Ele não chega mais rápido por causa disto. Acho mais produtivo reclamar no PROCON, ou no plano de saúde que realmente podem e devem tomar uma atitude nestes casos.

O tempo é algo muito valioso que a gente tem, mas se não soubermos gerenciá-lo bem ele vai embora rapidinho. Ás vezes é complicado quando dependemos de outra pessoa para que o nosso tempo renda e não encontramos esta cooperação.

Abre a porta, outra pessoa em busca de atendimento.

- Desculpa, sou da consulta das 15 horas e estou um pouco atrasado, disse o recém chegado.

- Ih… relaxa, diz a atendente. Ele ainda está atendendo a consulta das 13h30.

Foi curioso ver a cara dele com esta afirmação. Era uma mistura de alívio com indignação: alívio por não ter perdido a consulta já que o médico estava mais atrasado do que ele; indignação pelo mesmo atraso. Deixe estar, daqui a meia hora no máximo a expressão vai ser só de indignação.

- Acho que vou fazer o que minha sobrinha falou, vou me consultar com o “doutor Google”, diz uma das senhoras.

- Ele é bom? Pergunta a outra.

- É o serviço de busca da internet, amiga. Lá a gente sabe qualquer coisa é só digitar os sintomas.

- Como assim? Sem exames nem nada?

Ouvi isto com desconforto. Muita gente está ficando paranóica com isto. Você digita algum sintoma nestes sites de pesquisa e recebe resultados apocalípticos que irão lhe perturbar até você conseguir ir ao médico para se acalmar. Eu não costumo nem abrir resultado de exames sem meu médico. Afinal não saberei interpretar mesmo. Para evitar dúvidas e paranóia, então prefiro consultar a minha avó que por via de regra me faria uma sopa e me aconselharia descansar. Se resolvia? Nem sempre, mas me fazia um bem enorme.

Opa, uma das senhoras já entrou. Agorinha será a minha vez, ou não.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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