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Em 2016 não podemos desperdiçar a chance de escolher um bom candidato a Vereador

No Brasil há uma aversão das pessoas contra os chamados políticos. Em parte, há razão neste descrédito, pois parcela significativa de nossos dirigentes não realiza um bom trabalho. Por outro lado, esse descrédito eleitoral acaba favorecendo os políticos ruins, pois afasta o povo de uma participação política mais efetiva.

Tempos atrás, o Padre José Fernandes de Oliveira (Zezinho), veio realizar um show em Vila Velha/ES durante o encerramento da tradicional Festa de Nossa Senhora da Penha. Logo no início ele se dirigiu às autoridades presentes e quando citou os vereadores do Município houve um princípio de vaia. Imediatamente, ele falou: “…estou chamando aqui as pessoas que vocês escolheram…”. O silêncio foi total. Na realidade, ele levou o público presente no evento a uma reflexão sobre as escolhas feitas.

Ele tocou numa ferida, pois os vereadores são escolhidos pelo povo a cada quatro anos. De certa forma, as pessoas têm o direito livre de escolha e são responsáveis por ela. Podem e devem criticar sim, mas não de maneira genérica só pelo fato de serem vereadores. É claro que existem distorções em nosso sistema eleitoral, mas inegável que o povo tem o poder de escolha.

E em 2016 teremos eleições municipais, quando escolheremos os novos prefeitos e vereadores. É tempo de escolha. No caso específico dos vereadores, para escolhermos bem é importante conhecer um pouco mais sobre as suas funções. As principais são: fazer leis e fiscalizar o Poder Executivo.

Entretanto, os eleitores, com ideias alimentadas por alguns candidatos, são levados a pensar que o vereador é um intermediário entre elas e o prefeito, e que ele é responsável por trazer as obras para o bairro e prestar diversos favores (emprego, ônibus para excursões, consulta médica, material de construção etc.). Muitas vezes, levados pela falta de informação e inocência, elegem despachantes de luxo e não legisladores.

Outro problema é que o debate eleitoral no Brasil é muito focado nos candidatos a cargos do Poder Executivo, ficando os eleitores com pouca ou nenhuma informação consistente sobre o pleito para vereadores. Muitas pessoas nem se recordam do nome do candidato em que votaram para Vereador nas últimas eleições.

Não é papel da Igreja indicar candidatos e partidos políticos, pois a escolha deve ficar a critério de cada cidadão, devendo fazê-la de maneira consciente. Mas ficam aqui algumas sugestões para quem quer realmente melhorar a realidade política no âmbito municipal: 1) Não veja o Vereador como uma pessoa que irá fazer obras, pois isso é papel do Prefeito;  2) Não vote em alguém para pagar ou pedir favores pessoais e nem por amizade, mas sim em quem tenha capacidade e ética para legislar e fiscalizar o Poder Executivo; 3) Pesquise sobre a vida do candidato (atualmente, com a Internet isso não é tarefa difícil); 4) Denuncie os candidatos que estiverem comprando votos, nos termos da Lei 9840/99; 5) Após as eleições, acompanhe, fiscalize e cobre o trabalho correto de todos os eleitos.

Domingos Augusto Taufner, 
Conselheiro do TCE-ES. Autor do livro Manual do Candidado(a) a Vereador(a)

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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