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Eleições e a questão metropolitana

A Grande Vitória é um singular processo de aglomeração urbana constituída por cinco municípios com autonomia político-administrativa. Esse processo tem raízes, por um lado, na crescente urbanização a partir do êxodo rural provocado pela erradicação de cafezais nas décadas de 50 e 60.  E, por outro, na industrialização retardatária procurada pelo governo estadual para criar uma nova trajetória de crescimento para o estado.

Tanto o migrante quanto a instalação de empresas industriais e de serviços, buscaram ocupar espaços na Grande Vitória conforme a disponibilidade de infraestrutura viária. Por isso, a antiga linha de bonde ligando a baía ao centro de Vila Velha e a rodovia Carlos Lindenberg, estruturaram a mais intensa integração entre a velha vila e Vitória. A posterior construção das BRs 101 e 262 nos trechos que cortam Cariacica, Serra e Viana, em muito contribuiu para a conformação da Grande Vitória (GV) como hoje conhecemos.

Além disso, a estrutura metropolitana muito deve à implantação de um sistema de transporte de passageiros que buscou atender as especificidades de uma população que em muitos casos, mora em um município, trabalha em outro, estuda em um terceiro, compra em um quarto e procura um quinto para lazer. E mais, esse sistema de transporte foi pensado tendo como pano de fundo a busca de qualidade de vida em uma cidade com as características naturais, econômicas e sociais da GV.

Construída nas décadas de 60 e 70, a visão estrutural da região metropolitana fundamentou a elaboração de Planos Diretores Urbanos (PDUs) que buscam manter/ampliar a qualidade de vida de quem vive na GV. Assim, qualidade de vida, ordenamento do espaço, transporte público de passageiros, sistema viário e estruturação da região metropolitana, fazem parte de um longo processo.

Ele é interativo e o todo – a qualidade de vida – tem que ser visto como maior do que a soma das partes. Por isso, a plataforma eleitoral de candidatos a prefeitos dos cinco municípios precisa contemplar a questão metropolitana para muito além dos limites político-administrativos de suas respectivas cidades.

Quem aspira governar precisa debater com a população como vislumbra o futuro da cidade ampliada, chamada região metropolitana; como articulará as ações do âmbito de seu município com os interesses da Grande Vitória como um todo; e como propõe assegurar qualidade de vida para quem mora e investe nesse território tão rico em natureza e em dinamismo social, cultural e econômico.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Inovação e Desenvolvimento Capixaba da UFES 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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