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Discernimento vocacional

Todo sacerdote da Igreja é um vocacionado, isto é, um convocado à uma missão especial, feita pela voz de Deus, que chama a cada um pelo próprio nome (cf. Is 43, 1). Assim, tal como cada pessoa possui um nome diferente, Ele chama a cada um de maneira particular, por meio de sinais delicados como de um Pai.

Porém, nem sempre é possível discernir com clareza a vontade de Deus, afinal, os sinais podem ser tão sutis, que precisamos de auxílio de pessoas mais experientes. Assim aconteceu com Samuel quando, ainda jovem, foi chamado por Deus. Por três vezes, Deus chamou-o, mas foi somente por orientação de Eli que pôde responder de maneira adequada: “Fala, Senhor, que teu servo escuta” (cf. 1 Sm 3, 1-10).

Aquele que se percebe chamado por Deus costuma, como o jovem Samuel, buscar ajuda com alguém que, certamente, já vivenciou algo semelhante: um padre. Busca, pois, abrir seu coração para compreender e esclarecer os verdadeiros sinais de Deus, que se utiliza de acontecimentos, pessoas e coisas, para atrair-nos a Ele. Nesse sentido, um acompanhamento da vida e participação na comunidade pode ser um meio para relembrar esses momentos de encontro com Deus. Uma verdadeira tomada de consciência sobre o caminho eclesial vivido e quais os projetos de Deus desejamos assumir como também nossos.

Após esse momento, busca-se então, por meio dos serviços vocacionais da Igreja, o processo de amadurecimento da fé e das motivações vocacionais que se dão em encontros periódicos feitos, ao menos, durante um ano para que, em caso de admissão nesse processo, o jovem ingresse no Propedêutico, período inicial em que se deseja a inserção e um aprofundamento e de desprendimento pastoral, numa dinâmica preliminar das dimensões da formação seminarística: pastoral-missionária, espiritual, comunitária, humano-afetiva e intelectual.

Transcorrido este período, ajudados pela equipe de padres formadores, o jovem poderá ser acolhido no Seminário, em que durante sete anos aprimorará a vivência das dimensões citadas acima e buscará, com auxílio de Deus e da Igreja, dar um seguro “Eis-me aqui”, como Samuel.

Findado o período de formação, a Igreja de Cristo é quem terá o grave dever de confirmar o chamado de Deus, concedendo- não como honraria, mas como dom de Deus-, os graus do sacramento da ordem (diaconato e presbiterado). Contudo, mesmo após receber a graça da ordenação presbiteral, o sacerdote continuará um vocacionado de Deus que, tal como num matrimônio, deverá dizer seu “sim de cada dia”, mantendo sempre essa relação amorosa com esse Deus que nos chama e diz: “…és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo…” (Is. 43, 4).

Jonatan Rocha do Nascimento
Seminarista do 1º ano de Teologia

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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