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Diocesano ou Religioso

Na vida interna da Igreja, o mês de agosto é marcado por questões importantes, como por exemplo, a conscientização de cada cristão sobre a sua vocação. Deus não só nos chama para a vida e vida eterna com Ele, mas confia-nos uma missão, no meio da humanidade, a fim de convocá-la para recuperar o sentido de sua existência.

Além do chamado universal que Deus faz a todos, a Igreja toma consciência e reflete sobre a importância e a necessidade de orarmos para que Deus nos envie vocações específicas para a sua vida interna e apostólica, ou seja, vocações para fortalecer a estrutura da própria Igreja e vocações que colaborem na vida carismática e missionária da mesma Igreja. São dois polos importantes: de um lado, os chamados a manter e organizar a estrutura da Igreja.  Estas vocações cuidam da Casa Eclesial com grande amor e carinho. Quem são elas? São os padres ou presbíteros da Igreja formados junto ao Sucessor dos Apóstolos, o Bispo Diocesano com a missão de cuidar da Igreja presidida pelo Sucessor dos Apóstolos, o Papa. Estas vocações surgem nas Comunidades Eclesiais de Base. Os presbíteros geram e formam essas Comunidades Eclesiais, presidindo-as e animando-as na fé. Por isso são chamados de “padres”, ou pais na fé. São chamados também de “padres seculares”, isto é, do “século”. Esta é uma linguagem medieval que atualizada significa: padres no meio do povo.

Juntamente com o Bispo, os presbíteros são chamados por Deus para cuidarem da Casa Eclesial, isto é, da Porção do Povo de Deus que está numa determinada Região geográfica que recebeu o nome de “diocese”, por sua vez é composta de Paróquias e suas redes de Comunidades Eclesiais. Juntos formam uma Família Diocesana!

São Pedro, São Tiago São João, São Paulo, São Barnabé e São Tomé, ao anunciarem Jesus como verdadeiros homens de Deus, carismáticos e missionários foram compondo a estrutura da Igreja Local através das Comunidades Eclesiais. Os presbíteros diocesanos são os cuidadores da Casa Local, da Igreja Local.

De outro lado, surgiu logo nos primeiros séculos, uma força carismática organizada na Igreja, a Vida Consagrada, Vida Religiosa. Eram pessoas que se retiravam do “mundo” para viver totalmente para o Senhor, seja como eremita, seja como Comunidade Orante. Eram forças renovadoras da Igreja a serviço da Igreja, enquanto Mistério. Não eram forças paralelas à Igreja, mas carismas dentro da Igreja. Figura expressiva deste período foi Santo Antão, o pai dos monges.

No correr do tempo, nas diversas culturas orientais e ocidentais vieram as Ordens e Congregações Religiosas como são conhecidas atualmente, com a característica de serem missionárias no mundo. Destaca-se desta época o Abade São Bento, patrono da Europa.

Contudo, a Igreja houve por bem, escolher dentro destas Famílias Religiosas, irmãos que pudessem ser ordenados presbíteros sem que perdessem o carisma e a missão da Família Religiosa e de Vida em Comunidade.

Daí percebemos uma diferença que o jovem vocacionado deve prestar a atenção. Se optar em ser presbítero vivendo numa Família Religiosa, deverá estar ciente de que não terá morada fixa numa Diocese por toda a vida, mas poderá ser designado para qualquer diocese onde existirem Comunidades de sua Família Religiosa.

Desta forma entende-se que temos dois modelos de presbíteros: um é o presbítero vinculado ao Bispo Diocesano cuidador da Igreja Local, o outro é o presbítero “religioso”, isto é que pertence a uma Comunidade de Consagrados ou Religiosos. Este último, ao residir temporariamente num convento que está em uma diocese, está vinculado e é obrigado a obedecer às normas pastorais do Bispo Diocesano e engajar-se a serviço da Igreja nesta Diocese onde vive, com todos os direitos e deveres de presbíteros sob um contrato feito entre a Diocese e Comunidade Religiosa.

Se o jovem entender bem o que acabo de escrever acertará a sua escolha e evitará arrepender-se de ter escolhido erradamente com a consequência de não ter mais conserto ao querer acertar a sua escolha.

Dom Luiz Mancilha Vilela, ss.cc.
Arcebispo de Vitória 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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